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Edição 730
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Rolf Osang

O toque de Midas

Há menos de dois meses atrás, o escritor de viagens e conhecedor de arte Rolf Osang, 62 anos, abriu o maior centro de arte no Algarve. Fica no espaço da Adega Cooperativa de Lagoa, tem centenas de metros quadrados de espaço, e está rapidamente a atrair a atenção de vários artistas. Por dia, uma média de dois novos artistas, quer locais, quer de toda a Europa entram em contacto com a galeria (pessoalmente, ou através de e-mail) para saberem se é possível ali exporem os seus trabalhos. Em apenas oito semanas, Osang já conseguiu vender “um grande número” de peças, incluindo esculturas. Mas isso é só o início. O seu sonho é colocar uma torneira numa mina de ouro: criar um nicho de mercado no Algarve que beneficie toda a gente – e segundo diz, o melhor é que o investimento é quase zero…
Natasha Donn, Edição 697 (29 Set 2011), Sem Comentários »

Fale-nos sobre o seu sonho…

Temos no Algarve tudo o que é necessário para um mercado de arte de sucesso: temos artistas, temos todas as infra-estruturas e damos as boas-vindas a quem quer comprar arte, ou vir gozar umas férias artísticas. E temos o clima! Basicamente, estamos sentados numa mina de ouro – mas muitos fecham os olhos. A Entidade de Turismo do Algarve (ERTA), por exemplo, simplesmente não entende isto – apesar de já termos tido várias reuniões com eles, para explicar como o turismo artístico funciona, por exemplo, na Toscânia, ou no Sul de França.

As pessoas viajam de todo o mundo para passarem férias nesses locais. Também poderiam vir até cá! Mas não, a ERTA fala sobre observação de aves e mergulho – que certamente são excelentes nichos de mercado, mas que em ambos os casos precisam de milhares de euros de investimento – enquanto que criar um mercado ligado à arte não custa um cêntimo! Já temos hotéis, restaurantes e tudo o necessário para as pessoas ficarem confortáveis. Temos excelentes professores e agora temos a Adega, o centro perfeito!

Quais são os seus planos para este enorme espaço?

Temos várias secções na galeria: uma para exposições mensais de artistas de renome – por exemplo, no próximo dia 8 de Outubro, vamos expor o Saulo Silveira. Depois, temos um enorme espaço para a venda de arte, com mais de 1000 metros quadrados. E no outro lado do edifício, planeamos abrir a «Academia de Arte do Algarve» - uma escola de arte de excelência. A ideia é abrir turmas fixas durante as manhãs, e deixar as tardes abertas aos clubes artísticos, isto é, para receber grupos de férias com os seus professores, ou então, classes privadas, etc. Por debaixo da cave, há uma outra área de 600 metros quadrados que, idealmente, queremos desenvolver para peças de teatro, concertos e ballets.

E é possível realmente fazer isso sem investimento?

O dinheiro necessário é muito pouco. Temos falado sobre isto, sonhado com isto desde há três anos para cá, desde que começámos a feira «Arte Algarve» e percebemos que um evento anual ou semestral não era suficiente para criar um mercado.

O que precisávamos era um lugar assim – para levar as coisas para a frente. Estou confiante que vai funcionar. Por exemplo, desde que lançámos o nosso website, alguns dos artistas envolvidos tiveram mais de 100 000 clicks por imagem! Estamos numa média de 600 clicks por dia. Isso faz de nós um dos mais populares websites em Portugal!

Como seleccionam a arte que vendem?

Esse critério ainda está em desenvolvimento. Não acredito em “boa” ou “má” arte. A arte é realmente democrática, desde que as pessoas saibam as técnicas básicas.

Devem também estar aptos a saber aquilo que estão a fazer. Mas agora que estamos a receber tantos artistas, temos que introduzir um processo de selecção que deve elevar o nível de trabalho que oferecemos. Oh, e nós temos uma regra: nada de arte sacra/religiosa. Não sou um crente, e acho que esse tema já foi repetido até à exaustão.

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