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Cônsul britânico no Algarve

Clive Jewell

Nos últimos anos, os cônsules britânicos no Algarve têm mudado regularmente. Mas no ano passado, Clive Jewell, 54 anos, cidadão há muito residente no Algarve, ocupou o lugar, e espera que seja uma missão duradoura. É fluente na língua portuguesa, adora viver cá, “adora a comida portuguesa” e sente-se bastante orgulhoso com esta responsabilidade, que diz “ir para além do próprio título”. Falámos com Clive Jewell numa semana em que se repetem as notícias do crime na região: sete mulheres irlandesas assaltadas à mão armada numa vivenda de férias, em Albufeira…
Natasha Donn, Edição 696 (22 Set 2011), Sem Comentários »

Este ano, tem visto um aumento no número de pedidos de ajuda de turistas que foram vítimas de crime violento?

Devo dizer que não. As estatísticas dizem-nos que em termos de apoio prestado, estamos no mesmo nível do ano passado. Claro, tem havido um maior interesse mediático pelo crime no Algarve – mas infelizmente, isto é algo que acontece em todos os países, e Portugal não é excepção. Contudo, o Algarve em geral, e Albufeira em particular, continuam a ser destinos turísticos bastante populares. Segundo as contas do aeroporto, o número de passageiros a voar do Reino Unido para Faro cresceu este ano em cerca de 12 por cento. É significativo que isto não se tenha traduzido num igual número de pedidos de apoio.

Então e a crise, motivou algum pedido de apoio por parte dos residentes britânicos?

Temos ajudado algumas pessoas que se viram em situações de facto muito difíceis, e não tinham a quem mais recorrer. Temos tido sorte em conseguir estabelecer contactos com a Segurança Social, de modo a encontrar as respostas que precisam. Ou então, a restabelecer contactos com familiares no Reino Unido. No momento, não se nota um grande aumento nos casos de dificuldades, mas quem sabe o que o futuro reserva?

“Fazer a diferença” significa que o seu trabalho é pautado por stress?

Tendo a usar essa palavra com muito cuidado – e penso que causa muito mais stress não ter qualquer trabalho. Depois de 33 anos a trabalhar em agenciamento de viagens, e a organizar as férias de centenas de milhares de pessoas, tenho a sensação de que me tornei tão polivalente que sei como lidar com situações complicadas.

Na sua opinião, que hipótese de recuperação económica tem Portugal?

Não sou um economista, nem um político – e não tenho uma bola de cristal, mas acredito verdadeiramente que ao mesmo tempo que muitas pessoas estão a viver tempos extremamente difíceis, se olharmos ao que se passa no mundo em redor, existem dificuldades ainda piores em muitos sítios. Tendo a olhar para a vida na perspectiva do “copo meio cheio” e penso que muito do que se passa é cíclico. Acho que o país vai recuperar, de certeza. Vai ser preciso paciência, confiança, fé e muito trabalho duro.

Diga-nos, o que mais gosta em Portugal?

Desde os primeiros dias aqui (mudei-me em 1989), senti-me genuinamente bem-vindo enquanto estrangeiro. Aqui somos aceites sem problemas. Este é um país lindo, cheio de história e diversidade – a costa é fantástica, e é uma das coisas mais bonitas em qualquer parte do mundo. O campo também é bonito e depois há o contraste com as marinas do século XXI, os campos de golfe e tudo isso. A única coisa que não gosto é a chuva que temos visto mais recentemente no Inverno!

Sabemos que aprecia a comida…

Agora apanhou-me. Claro que gosto! Não posso dizer que tenho um prato favorito, porque gosto de tudo, o peixe grelhado, as favas, as sardinhas, o frango assado, e os pastéis de nata.

Você recicla?

É uma pergunta engraçada, pois sou muito diligente em relação à reciclagem. Separo tudo em casa e até tenho uma máquina que esmaga latas. E sim, sou eu que ponho nos ecopontos…

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