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Em visita à concentração de Faro
Fernando Nobre – um candidato entre nós

Vivalgarve: Muita gente conhece o seu trabalho humanitário na AMI e vêem-no como um homem realizado. Porque decidiu entrar na política e candidatar-se à presidência da República?
Fernando Nobre: Porque na situação em que o país se encontra actualmente, eu, enquanto cidadão, entendi que tinha o dever de me erguer e de bater pelos valores que sempre defendi. Nomeadamente, valores de justiça social, valores de dignidade e de justiça para todos nós de igual modo. Entendi que poderia dar um contributo na medida em que trabalho há mais de três décadas no campo da solidariedade, no país e no mundo. Penso reunir condições pessoais, talvez únicas, para poder transmitir ao povo português os meus projectos, as minhas ideias e os meus desígnios para o país.
Normalmente, os candidatos apartidários ou independentes, salvo raras excepções tem a vida complicada nas eleições. Isso não o preocupa?
É evidente que sim. É extremamente difícil e eu serei provavelmente o primeiro candidato independente e suprapartidário a chegar ao acto eleitoral, já que não é nada fácil recolher as 7500 assinaturas requeridas, no mínimo, para formalizar a candidatura. Já tenho cerca de 9000 mas espero conseguir 15 000. Depois, em termos financeiros, uma candidatura como a minha depende em grande parte do voluntarismo dos cidadãos. Mas acredito que muitos vão compreender que se querem mudança, e se querem ruptura com o que tem acontecido no nosso país nas últimas décadas, têm agora uma oportunidade. Se os eleitores quiserem mais do mesmo, bem, haverá outros candidatos nos quais poderão votar. Mas se quiserem optar por uma esperança e por uma possibilidade de mudança no nosso país, eu estou aqui para satisfazer as suas ambições e desejos.
Tem viajado de Norte a Sul do país. Que lhe dizem as pessoas?
Eu posso dizer que em termos de adesão popular, tem sido muito bom. Acho que há uma onda de esperança a crescer no país. Posso dizer que sou interpelado por todo o sítio por onde eu passo – seja numa feira, num café, num comboio ou num aeroporto – acho que as pessoas começam a acreditar que talvez seja possível uma mudança positiva no nosso país.
Já viajou por 160 países do mundo. Já viu uma escalada tão grande de dificuldades em tão pouco tempo, como tem acontecido recentemente em Portugal?
Bom, independentemente de todas as dificuldades que nós temos e que são bem reais, há países que estão em situações muito piores. Não nos vamos comparar ao Zimbabué, nem ao Haiti, nem ao Congo, nem ao Paquistão, nem à Indonésia. Mas não obstante, no quadro europeu é verdade que somos o país com menor distribuição da riqueza. Talvez o com a maior injustiça social e menores perspectivas de futuro. Daí que não é por acaso que estejamos a viver uma nova onda emigratória geral, e sobretudo, entre a nossa juventude. Efectivamente há muitos entre nós que já não acreditam que seja possível construir o seu futuro em Portugal.
Qual é a sua posição?
Pois bem, eu acredito que é possível. Penso que o nosso país tem futuro porque tem trunfos importantes. É preciso traçar um rumo. E penso que todos juntos, podemos criar um país verdadeiramente sustentável.
Se ganhasse, quais seriam as suas primeiras medidas?
Repare, eu estou a candidatar-me a Presidente da República. Não me estou a candidatar a Primeiro-ministro, nem a Ministro das Finanças. Posso dizer que dentro dos poderes constitucionais que vier a dispor, tentarei alertar o país para os verdadeiros problemas que enfrentamos. Tentarei mobilizar esforços na sociedade civil, nos partidos políticos, no mundo sindical, patronal e associativo para que todos nos possamos mobilizar num esforço de consenso nacional. Acredito, que se a exemplaridade, a isenção partidária e a dignidade vierem do topo do Estado, podemos inverter uma marcha que tem sido nefasta para todos nós.
Uma última pergunta, que tem a dizer sobre a corrupção instalada e o mau funcionamento da Justiça portuguesa?
São problemas tremendos que temos entre nós. Sabemos que uma justiça lenta, com dois pesos e duas medidas, e uma administração pública complicada, são desmotivadores para muitos dos projectos que poderíamos desenvolver entre nós. Quando os cidadãos já não acreditam na sua justiça, que é um pilar essencial do Estado, isso coloca em causa a própria democracia. São problemas que terão de ser tratados com muito bom-senso, mas também com muito rigor e com muita exigência.








