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Edição 730
2012-05-24 > 2012-05-30
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Porca Preta, Monchique

No Coração da Natureza

Numa década bastante dramática e de ritmo acelerado, a Galeria Porca Preta, em Monchique ganhou uma pluralidade de significados para muitas pessoas. Começou como um simples centro de artes no ano 2000 - um espaço aberto aos artistas para apresentarem e comercializarem as suas obras sem terem que pagar uma percentagem às galerias. Depois vieram os incêndios florestais, que assolaram o território em 2003, e a Porca Preta tornou-se num centro de apoio – um espaço para recolha de vestuário, móveis e tudo o que pudesse ser doado e depois distribuído em veículos todo-o-terreno às pessoas e famílias que perderam os seus bens. Hoje, dez anos depois da criação desta jóia do oásis no coração da Malhada Quente, o seu proprietário, Rolf Osang, relançou a Porca Preta como centro de natureza – um espaço onde os caminhantes podem descobrir os muitos “segredos da serra de Monchique” e tirar partido da beleza mágica de uma das zonas mais bem conservadas do Algarve…
Natasha Donn, Edição 630 (10 Jun 2010), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires

“Existem tantas caminhadas formidáveis aqui na serra”, conta, Rolf Osang, 61 anos, o escritor de viagens alemão. “Mas incrivelmente, elas não estão bem divulgadas. Por exemplo, sabia que existe uma caminhada que inclui a passagem por uma antiga “aldeia fantasma”, por detrás da qual se esconde a maior queda de águas a sul da Europa? Bem, se não sabia é porque ninguém lhe contou!

“Vivendo aqui – sobretudo desde os incêndios florestais em que “descobrimos” tantos lugares escondidos enquanto distribuiamos mantimentos pelas pessoas que perderam as suas casas e bens no flagelo - eu apercebi-me dos poucos trilhos que eram conhecidos, e do difícil que era para as pessoas que apreciam as caminhadas encontrarem informações sobre eles”.

Baseando-se na «Via Algarviana (um percurso pedestre com raízes antigas que atravessa o Algarve de sotavento a barlavento), Osang construiu um fabuloso mapa de fácil compreensão, que reúne todas as caminhadas e que se encontra agora disponível na zona do bar da Porca Preta. “É um mapa de caminhadas locais do mais compreensível que se pode encontrar. E foi desenvolvido através de um software especial que as autarquias usam para vigiar a construção no seu território. A imagens são captadas por via aérea a 3000 metros de altitude – e nós fizemos apenas uma montagem na parede com todo o “concelho”, marcámos os diferentes percursos a cores para que as pessoas o possam seguir facilmente.

“Muitas das caminhadas são circulares, e começam e terminam aqui, dando às pessoas a oportunidade de fazerem uma refeição e de beberem um refresco antes e/ou depois”. Na verdade, há uma hospedaria em anexo no aglomerado de edifícios da galeria, com capacidade para até dez pessoas. É o ideal para grupos que planeiam umas férias de caminhada.

“A arte ainda é muito parte deste espaço”, confessa Osang, sentado num pequeno jardim aquático localizado num dos terraços baixos da Porca Preta, e sobre o olhar atento de um “Neptuno” em bronze que sobressai do lago artificial. “Temos alguns trabalhos fantásticos aqui expostos – e continuamos a organizar regularmente feiras de arte a cada segundo Domingo do mês (a próxima será a 13 de Junho), e o convite está aberto para que todos os artistas possam participar e pôr os seus trabalhos à venda. Isto até pode ser caótico… mas funciona! E é algo que simplesmente não se encontra em nenhum outro lugar no Algarve”.

Na verdade, é Osang, o antigo responsável de uma agência de publicidade, que está por detrás da “Arte Algarve”, a única feira internacional de artes do Algarve aberta a todos, e concebida para dar a conhecer e promover os talentos locais e internacionais. Trata-se de um evento relativamente novo na região, e cuja 3º edição teve lugar no passado fim-de-semana, no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa.

“Originalmente, o papel da Porca Preta era ajudar a dar aos artistas locais a visibilidade de que necessitavam – mas entretanto passámos grande parte desse trabalho para a Galeria Santo António, em Monchique. É por isso que tem sido possível desenvolver o projecto do centro de natureza”, explica Osang.

E claro que caminhar pode abrir o apetite… é por isso que a equipa da Porca Preta está todos os dias atarefada a preparar almoços deliciosos, quer para os caminhantes, quer para os amantes da arte, ou simples transeuntes. No dia da nossa visita, as irmãs búlgaras, Lina e Irina estavam a preparar uma sinfonia de aromas sedutores juntamente com a companheira de Rolf, Caroline Beens (que curiosamente também é Cônsul Honorária do Panamá!).

O prato do dia deste trio maravilha era o tradicional porco preto de Monchique no forno com vegetais e batatas novas cultivados na horta.

“A nossa ideia é que as pessoas aqui venham, que caminhem, almocem e que depois vão ver o que temos para mostrar na Galeria Santo António, continua Osang. “Por outras palavras, queremos que passem um dia agradável na serra de Monchique, com o sentido de que tudo seja feito de forma descontraída e informal. As pessoas interessadas em conhecer a vida tal como ela era antigamente vão adorar este lugar – e muitas das caminhadas incluem as várias formas de agricultura tradicional ainda hoje praticadas aqui”.

Nos planos para o futuro incluem-se caminhadas com identificação de plantas medicinais e workshops variados de temas relacionados com a natureza.

E caso tenha ficado curioso quanto à aldeia fantasma e a sua queda de águas, esta chama-se Barbelote. Para saber como lá chegar, e também a muitos, muitos outros lugares, visite a Galeria Porca Preta, de Terça a Domingo, entre as 11h00 e as 17h00.

A galeria produziu um panfleto com uma variedade de percursos e com imagens, que incluem fontes santas, árvores centenárias e até os vestígios de um caminho romano local. A maioria das caminhadas são acessíveis para todas as idades, e proporcionam vistas panorâmicas de tirar a respiração, sobre aquilo que Osang descreve como “a açoteia do Algarve”.

E que mais dizer… Feliz caminhada

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