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Ecoaidalgarve
Pedalar pela solidariedade

A história começa em 1999. Na altura, Maria de Lourdes, vendeu a sua casa em Vilamoura com o objectivo de dar um lar a muitos animais abandonados do Algarve. Um espaço com 3500 metros quadrados, que nasceu da força de vontade de uma mulher, e que hoje abriga cerca de 170 gatos e 190 cães e cachorros.
Desde então, Lourdes, hoje com 71 anos de idade, tem sido uma lutadora incansável. Salvou milhares de animais doentes e negligenciados, cujo destino provável teria sido a morte. Tem construído todas as estruturas, como os abrigos, as enfermarias, e a casa dos gatos – um lugar onde não faltam brinquedos, cadeiras e cantinhos confortáveis para as sonecas.
Para manter toda a infra-estrutura a funcionar em pleno são precisos cerca de 6000 euros por mês. Ou mais. O dinheiro quase nunca chega. Maria de Lourdes, recorre à sua reforma e do marido, resultado de vários anos de trabalho em Inglaterra no ramo imobiliário, e à ajuda de particulares.
“Este ano tem sido muito difícil. Tal como foram todos os anteriores. Mas agora o problema é que há menos pessoas a ajudar com donativos, porque também não têm dinheiro para dar. Noto muito isso”, diz.
Ainda em relação às receitas, parte do dinheiro necessário é obtido com a venda de duas lojas de roupa em segunda mão, em São Brás de Alportel e Quarteira, onde trabalham voluntários. O «Nandi Fund» de Lagos dá uma ajuda, e os «Amigos dos gatos» de Albufeira também. Depois, há uma série de beneméritos que organizam torneios de golfe, e outras iniciativas pontuais para angariar fundos.
“Gosto muito de pessoas que venham com ideias. Penso que cabe a todos nós ajudarmos os nossos amigos de quatro patas. Se não o fizermos, o mundo vai ser um lugar muito pior”, considera.
Actualmente, o canil tem três colaboradores pagos – 2 a tempo inteiro e um flexivel. “É um trabalho porco”, diz, mas feito com muita dedicação. É preciso limpar constantemente o espaço e alimentar os animais. A rotina de trabalho começa logo às 08h30 da manhã e termina às 17h00. Lourdes está quase sempre presente e não tem tempo para mais nada.
O principal problema continua a ser o ritmo com que chegam animais. Todas as semanas chegam novos, vindos de todo o tipo de situações. Desde pessoas que já não podem ter a mascote em casa por motivos financeiros, familiares ou profissionais, a anónimos que simplesmente encontram cães e gatos nas ruas e trazem-nos para aqui na esperança que possam ser acolhidos.
“É difícil dizer que não”, diz Lourdes. À chegada, são todos examinados. Para evitar o contágio, os animais doentes são isolados num pequeno hospital à parte. A médica que habitualmente colabora com a «Quintinha» cobra um preço simbólico. Ainda assim, as despesas com o veterinário e medicamentos/ curativos levam uma parte considerável do orçamento disponível.
Este ano, uma jovem veterinária irlandesa veio cá passar as suas férias a fazer trabalho voluntário. Uma das maiores necessidades é a castração/ esterilização dos animais, como forma de controlar a população.
Perguntamos a Maria de Lourdes, se considera que o seu trabalho tem feito alguma diferença? “Não sei, as pessoas é que podem dizer. Mas quero acreditar que sim, e que hoje há menos cães e gatos a sofrer nas ruas”.
Em relação ao futuro, “vou continuar até morrer. Já tentei arranjar alguém interessado em continuar esta obra, mas até agora ninguém parece interessado em tomar esta enorme responsabilidade”, conclui.
Candidatos a gerir o canil, talvez sejam difíceis de encontrar. Contudo, Colin Worswick, 43 anos, e um dos principais organizadores do passeio em bicicleta está mais preocupado em arranjar ciclistas.
“Sim, o nosso objectivo é que as pessoas se interessem por esta causa e participem”, contou ao nosso jornal. Para promover o evento, Colin e mais três amigos montaram uma plataforma com o nome «Ecoaidalgarve». Se tiverem sucesso, a ideia é continuarem a fazer mais trabalho social aqui no Algarve.
Colin, que vive há 9 anos em Albufeira, tem um carinho especial por animais, já que foi criado na companhia de muitos. O pai treinava animais para filmes e publicidades televisivas. Por exemplo, o gato branco que aparece no colo de Blofeld, um dos maiores inimigos do agente secreto britânico James Bond 007, pertencia ao seu pai.
Segundo nos explicou, há 4 formas através das quais as pessoas podem participar. A primeira é patrocinar o evento. Com 200€ ou 50€ é possível ter o nome ou logótipo no merchandising do evento (T-shirts, cartazes). Outra forma é patrocinar um ciclista. Como? Por exemplo, doando um valor por cada quilómetro percorrido – como forma de encorajar o atleta a chegar à meta. Cada participante, pode perguntar aos amigos e conhecidos um donativo e preencher uma lista.
Um dos participantes especiais é a cadela Layla, que de acordo com Colin está em excelente forma e promete seguir sempre à frente do pelotão. Também ela está à procura de um patrocinador generoso.
Segundo Colin, não há desculpa para não participar. A organização dispõe de bicicletas para alugar ao preço simbólico de 20 euros. A partida será feita da loja «Paws for Pets» em Albufeira, no dia 7 de Novembro. A rota é um percurso de média dificuldade, pela nova «ecovia» do Algarve. Não é necessário percorrer todo o caminho. Pede-se apenas boa vontade e a esperança de fazer a diferença.







