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Better Living in Portugal

BLiP – o bravo e o leal de Portugal

Na verdade, BLiP quer dizer Better Living in Portugal (Viver Melhor em Portugal) – mas este ano, esta feira que se tem vindo a afirmar como evento de destaque no Algarve, adquiriu novo significado. Contra todas as incertezas económicas, e num fim-de-semana de eleições decisivas – os bravos e os leais lá estiveram para apoiar aquilo que nos dias de hoje se tornou quase como uma ilusão. Viver melhor em Portugal? É o máximo que hoje muitas das empresas podem fazer para se manterem de cabeça à superfície...
Natasha Donn, Edição 595 ( 1 Out 2009), Sem Comentários »
Natasha Donn
Sheena Rawcliffe

“É verdade, foi mais difícil este ano encher o pavilhão”, conta-nos Sheena Rawcliffe, “fundadora” da BLiP e também editora de uma publicação regional. “Mas o que nos surpreendeu não foi simplesmente o número de pessoas que voltaram de edições passadas, mas o número de novos expositores – e isso é muito importante.”

De facto, uma ronda pelo recinto da exposição no passado fim-de-semana, serviu para mostrar a quantidade de novas empresas, que iniciaram a sua actividade colocando de parte todo o pessimismo.

Em Agosto passado, o casal de empresários, Verónica e Nuno Pisco, abriu um novo negócio em Almancil – uma loja especializada em chocolates artesanais, doces regionais e licores – exactamente num local onde a grande maioria dos estabelecimentos comerciais têm vindo a fechar portas.

“Eu disse ao Nuno: nem acredito que estamos a fazer isto, numa altura em que todos os outros estão a fechar! Foi uma sensação estranha! Mas, apesar de tudo, estamos a sair-nos bastante bem!”, conta-nos Verónica a partir do stand bastante convidativo da “Docepecados”.

Entre os fãs deleitados que encontrámos, estava a fundadora da Luzdoc e médica de clínica geral, Maria Alice Serrano Silva, uma das já habituais expositoras na BLiP, em representação do seu centro médico na Praia da Luz, pelo nono ano consecutivo. “Estes chocolates são excelentes! Vou voltar para comprar mais!”

Outra das novas caras corajosas presentes na feira foi a “Puxar Lustro” – uma empresa aberta há relativamente dois meses no Autódromo Internacional de Portimão, que se especializa no melhor “polimento para automóveis” e que tem ambições de se afirmar no mercado dos carros de corrida, e de poder, eventualmente, vir a comercializar veículos desportivos britânicos.

“Se conseguirmos fazer este negócio funcionar neste mercado, estaremos a voar quando a crise chegar ao fim”, brinca o proprietário, Phil Egginton. “As coisas estão a andar no autódromo! Para mim, este é todo um sonho a tornar-se realidade!”

A Cineworld Solutions Lda é outra das empresas que iniciou actividade em Alcantarilha no passado mês de Maio. Fruto da vontade do “exageradamente organizado” Anthony Neale, especializa-se na arte das soluções audiovisuais e registou recentemente com a sua marca o design que Neale concebeu para aquilo a que chama de “pod audiovisual”. O pod é uma forma inteligente de armazenar todos os elementos audiovisuais irrelevantes para que nenhum fio ou nada de desnecessário seja visível – e a empresa comercializa ainda outros acessórios, tais como o extraordinário Philips Pronto (um dispositivo que evita que você tenha que se levantar do seu lugar!). E por falar de cadeiras, a Cineworld Solutions concebeu cadeiras especiais com subwoofers (alto-falantes) integrados para que”passemos a fazer parte do filme” enquanto estivermos colados ao nosso novo pod.

“A minha teoria quando iniciámos este negócio era: que mas para o fundo não poderiamos ir”, elaborou Neale. “Vamos partir para o sucesso! As pessoas estão à procura de soluções sensíveis para os seus problemas e nós estamos a oferecer todo o tipo de ideias divertidas”.

Também há novidades no sector imobiliário. Há um ano e meio, Morag Richardson descobriu uma lacuna no mercado e introduziu o seu conceito de Portugal Auctions – uma forma de vender imóveis através de viagens virtuais, que não só reduzem os custos para os vendedores, como também conseguem abranger propriedades em todo o mundo através de um simples botão. “Crise? Para mim não houve crise nenhuma! Este ano, foi uma loucura!”, conta-nos.

Todavia, a máxima pontuação de bravura deve ser atribuída à Wood-Works, de Lagos – uma empresa tão jovem que nem sequer tem ainda sítio na Internet. “Acabámos de chegar!”, brinca Fiona Bennett. “Esta é de facto a primeira obra que fazemos em Portugal”, disse apontando para a pérgola com estrutura em madeira de carvalho junto a onde estávamos sentadas. “Construímos de tudo a partir de uma estrutura em madeira – e até agora o interesse demonstrado tem sido fantástico! Em breve, haverá uma reunião para ficarmos a par de todas as implicações legais que envolvem a construção de casas em madeira”…

Não, não foi ainda tempo de rebentar a bolha. A BLiP deste ano quis simplesmente fazer frente a todo o pessimismo, e todas as caras novas foram bem-vindas, juntamente com as mais familiares.

Uma delas, de chapéu em punho, é Jan Steenkamp, um antigo retalhista da África do Sul. Veterano no mundo das vendas em Portugal, no ano passado viu o seu negócio “ir por água a baixo” e no mês de Julho decidiu entrar em grande no mercado da venda retalhista com a Optimum Outdoor Solutions , sedeada em Vale de Lousas.

“Lidamos com o crème de la crème dos produtos – tal como o Guzzini – mas nós não nos vamos iludir. Este é um período bastante difícil. Será uma sorte conseguirmos pagar todas as nossas despesas este ano – e nos que se seguem”, confessa olhando para o pavilhão ainda pouco movimentado.

“Deixo um conselho a quem pretenda criar um negócio aqui. Se quiserem fazer uma pequena fortuna no Algarve, tragam convosco uma já grande!”

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