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Centro de Interpretação da Paisagem (CIP)

Castro Marim em cima da mesa

Uma paisagem admirável espera quem subir à colina do Revelim de Santo António, mesmo ao lado do castelo de Castro Marim, onde a vista permite um olhar de 360 graus à volta do horizonte – o Guadiana, a fronteira, a serra e o mar. Mas há mais. Nesta antiga fortificação militar, inaugurou no passado Sábado, dia 15 de Agosto, um equipamento de tecnologia de ponta. Trata-se do novo Centro de Interpretação da Paisagem (CIP) de Castro Marim. Não é um museu, mas sim um miradouro virtual que promete cativar o interesse de turistas, visitantes e alunos das escolas. Saiba porquê…
Bruno Filipe Pires, Edição 589 (20 Ago 2009), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires
O novo Centro de Interpretação do Território de Castro Marim está instalado no alto da colina do Revelim de Santo António. Aqui, os visitantes tem ao dispor binóculos de longo alcance, uma cafetaria com esplanada, um auditório informal ao ar livre, e ainda o moinho e a capela. É um “centro de sedução”, considera José Estevens, que pretende continuar “a valorizar o concelho” com projectos como a Biblioteca Municipal, o Centro Multiusos do Azinhal, e o Núcleo Museológico de Odeleite.

À primeira vista parece um quadrado com 2x2,65 metros. Na verdade, é um detalhado mapa tridimensional do concelho de Castro Marim, feito à escala de 1/ 10 000 metros. Actualmente, é o maior do género que existe em Portugal. É como se fosse um olhar aéreo para todo o concelho.

O projecto foi desenvolvido por Carlos Coucelo, especialista em Geomática (a ciência que estuda as aplicações da informática na geografia), no seguimento de outros equipamentos semelhantes já existentes no norte do país. Mas o que o torna especial é a combinação de várias tecnologias audiovisuais utilizadas.

“Há algum tempo pediram-me para fazer um modelo parecido para a Serra da Estrela, no qual estivessem assinalados com pequenas luzes (leds) os pontos de interesse para os visitantes. Contudo, cheguei à conclusão que seria muito destrutivo furar uma maquete tão cara e pormenorizada para fazer uma instalação eléctrica”, conta-nos.

“Por isso, pensei em desenvolver algo dinâmico, capaz de fazer muito mais que isso”. Engenheiro mecânico de formação, Coucelo teve a ideia de colocar projectores de vídeo, numa estrutura metálica, directamente por cima de uma maquete, de forma a projectar em tempo real, informação geográfica diversa (pontos de interesse, localidades, caminhos, entre outros dados).

Parece simples, mas basta dizer só que o modelo, em espuma de poliuretano de alta densidade, foi fabricado nos Estados Unidos pela «Solid Terrain Modeling», uma empresa especializada.

Inicialmente, para reproduzir com exactidão a matriz do território de Castro Marim, Coucelo começou a trabalhar com a informação do Instituto Geográfico do Exército - IGE português.

Contudo, devido a algumas lacunas, acabou por combinar esses dados com aquilo a que se chama um “modelo digital do terreno”, o último grito em informação geográfica, comercializado pela «Intermap Technologies.»

Não deixa de ser curioso que uma empresa norte-americana com sede em Denver, no Colorado, conheça ao pormenor o Algarve. Na verdade, esta companhia vende dados à medida das necessidades de agências governamentais de todo o mundo.

Conhece o terreno na Europa ao detalhe, através de estudos feitos com instrumentos a laser de alta precisão.

O Centro de Interpretação da Paisagem de Castro Marim é um sistema controlado de forma relativamente simples. Num laptop com ecrã táctil, seleccionam-se em tempo real, as informações que se querem projectar no modelo do território.

Basta um toque para que os cursos de água, as estradas e caminhos, os locais onde há vestígios arqueológicos, ou simplesmente, as diversas aldeias espalhadas pelo concelho se iluminem imediatamente.

Também é possível distinguir os diferentes pontos altos do relevo (apresentados em cores diferentes), e até ver dados estatísticos, como as zonas do concelho onde há maior risco de incêndio. Para dar um exemplo, Coucelo mostrou aos jornalistas as áreas que arderam nos grandes incêndios florestais de 2004.

Mas como é uma visita normal? À entrada (gratuita), os visitantes recebem uma espécie de rádio com auscultadores, com os quais poderão acompanhar a apresentação de um filme exibido em quatro televisores LCD dispostos ao redor.

Para já, as explicações são narradas em português, espanhol e inglês. Mais tarde, estarao também disponíveis em francês. Ao longo de cerca de 20 minutos, o filme mostra imagens de gentes, sítios e paisagens do concelho, cuja localização é exibida de forma sincronizada na maquete.

“A ideia foi criar um filme que mostrasse aqui aos visitantes e turistas, o que Castro Marim tem para oferecer, com indicações geográficas precisas. Esperamos assim convidar os visitantes a sair da vila, a fazer percursos, ir em direcção ao mar, ao sapal, às salinas. Ir às aldeias, contactar com as pessoas”, explicou Conceição Amaral, autora do Plano de Gestão e Valorização do Património do concelho de Castro Marim, apresentado em Junho passado.

Ou seja, espera-se que o CIP contribua para minimizar o isolamento das populações idosas na serra, mobilizando turistas e visitantes para a aventura e o contacto humano.

Por outro lado, este espaço também foi pensado para um público escolar. Qualquer professor com conhecimentos gerais de informática poderá aqui dar uma aula com facilidade. Talvez por isso, José Estevens, o presidente da Câmara de Castro Marim tenha dedicado esta inauguração ao seu primeiro professor de geografia, Pereira de Campos…

“Esta é também uma ferramenta importante de trabalho. É um instrumento de planeamento e ordenamento do território. Tem potencial que está longe de estar esgotado e muito nos vai ajudar na manutenção de estradas e caminhos e no ordenamento da floresta”, considerou o autarca.

Relativamente ao futuro, Estevens aproveitou a ocasião para lembrar o arranque de mais uma obra que futuramente vai levar água e esgotos às aldeias mais isoladas do concelho.

Em relação ao património, o autarca anunciou a compra de “um dos complexos industriais mais importantes do século passado. Os fornos de telhas, ladrinhos e cal de António Lourenço Correia. Queremos recuperar esse local e não perder esse conhecimento e essa tradição. Queremos ainda recuperar algumas das casas do centro histórico, com recurso a esses materiais”, concluiu.

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