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Gripe Suína: O que ninguém diz

Sendo que a gripe suína continua a alastrar-se por toda a Europa (tendo afectado o Algarve nas últimas semanas – com casos confirmados de sotavento a barlavento), as autoridades de saúde estão em constante estado de evolução, a tentar acompanhar o ritmo desta pandemia acelerada. No Reino Unido – onde mais de 100.000 pessoas foram afectadas pela doença – o anti-viral Tamiflu (até ao momento o mais popular medicamento recomendado para ajudar a combater os sintomas) está a ser diagnosticado por telefone numa tentativa de acelerar a recuperação das pessoas, e mantê-las longe dos hospitais e dos centros médicos. Em Portugal isto ainda não acontece. Aqui, é esperado que as pessoas façam uma chamada gratuita para a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24), e os anti-virais mantêm-se na posse dos hospitais. Um procedimento que está destinado a mudar, dado que o vírus continua a espalhar-se e os hospitais simplesmente não terão os meios necessários para lidar com o crescente número de casos. Numa altura em que cresce o alarmismo entre a população, somos informados que uma vacina está a caminho. O facto é que, na passada semana, ficámos a saber que há uma clínica privada no barlavento algarvio que está a aceitar a “pré-venda” da vacina aos seus pacientes habituais. Entretanto, a ministra da Saúde, Ana Jorge fez a pré-reserva das vacinas para 30 por cento da população. Mas o quão eficaz será realmente esta vacina? Virá a tempo – e será segura? Questões importantes – sobretudo se considerarmos o que aconteceu da última vez que a gripe suína se revelou na América, em 1976.
Natasha Donn, 30 Jul 2009 02:00, Sem Comentários »

Há trinta e três anos atrás, a América foi afectada por um surto de “febre” da gripe suína. Após a morte de um jovem soldado infectado com o vírus (e a recuperação de outros quatro do mesmo pelotão), o presidente Gerald Ford declarou que “todos os homens, mulheres e crianças deveriam ser vacinados para prevenir um surto a nível nacional – uma pandemia”.

“Este vírus foi a causa de uma pandemia entre os anos de 1918 e 1919, que resultou em mais de meio milhão de mortos nos Estados Unidos da América, bem como 20 milhões de mortos em todo o mundo”, afirmou na altura para um público receptivo.

Foi então lançada uma grande campanha publicitária para aconselhar a população a “fazer o que estava certo” e a imunizar-se. Porém, de facto 46 milhões de pessoas foram vacinadas.

Mas o que o governo norte-americano nunca explicou – ou melhor nunca mencionou – foi que os testes à vacina salientaram que, em certos casos, as pessoas a quem foi administrada poderiam vir a sofrer desordens neurológicas – e em último caso, morrer devido aos efeitos secundários.

Numa entrevista televisiva conduzida pela estação de televisão CBS, e intitulada «Government Propaganda in Swine Flu Scare Causes Many Deaths» [traduzido à letra: propaganda do governo contra a gripe suína causa muitas mortes], Michael Hattwick, do Centro Americano para o Controlo e Prevenção de Doenças, disse ao entrevistador Mike Wallace que os investigadores estavam “absolutamente conscientes” da possibilidade de ocorrerem danos neurológicos e desordens resultantes do programa de vacinação em massa contra o vírus da estripo influenza.

Porém, na altura, esta “consciência absoluta” foi encoberta. Milhões de pessoas “optaram pela protecção” – e milhares sentiram mais tarde aquilo que reivindicam ser os efeitos secundários – doenças desde a paralisia total à parcial dos membros. A síndrome dá pelo nome de “Guilain-Barre” (GBS).

Na verdade, 300 famílias interpuseram acções contra o governo norte-americano, na sequência da morte dos seus familiares que contraíram o GBS após a administração da vacina contra a gripe suína. Todas estavam convictas que as mortes resultaram da vacina.

Então, em que posição nos encontramos agora? Obviamente que qualquer vacina hoje desenvolvida irá diferir massivamente da que foi administrada a 46 milhões de americanos em 1976 (antes de ser abruptamente retirada de circulação) – mas será assim mais seguro, mais eficaz?

Segundo a Dr.ª Maria Alice, da clínica privada Luzdoc, na Praia da Luz, perto de Lagos, a vacina virá “demasiado tarde”, sejam elas quais forem as respostas a essas questões.

“Não será necessária. Tenho a sensação que a doença será mais prevalente aqui em Outubro/ Novembro. A vacina não deverá estar ainda disponível antes do final de Dezembro. Por outras palavras, virá demasiado tarde”.

Ao mesmo tempo, a Dr.ª Maria Alice acrescenta: “parece que as pessoas ainda não perceberam é que esta gripe prova-se menos letal que os habituais tipos de gripe”.

A mesma opinião ecoa nas farmácias locais – que se enchem rapidamente de pessoas a colocarem questões e a comprarem de tudo desde os habituais Benurons e Brufens, às máscaras cirúrgicas e aos panos impregnados de álcool.

“A maioria das pessoas será capaz de lidar com o vírus a partir de casa – tal como com uma gripe normal”, afirmou a farmacêutica Drª Alexandra Mendes de Bensafrim. “Sem dúvida que quem apanhar o vírus agora no Verão, terá maior facilidade em lidar com ele do que no Inverno – com todos os problemas associados à humidade, frio, etc. Esta é a melhor altura para o apanhar!”

Relatos que nos têm chegado à redacção, de pessoas com familiares actualmente com gripe suína, confirmam estas opiniões. Uma das pacientes contou-nos também que o seu médico a aconselhou a não tomar o Tamiflu – sendo que este medicamento não é especificamente para a gripe suína, e que pode causar pesados efeitos secundários: desde náuseas a delírio.

De acordo com os profissionais de saúde, o Tamiflu apenas serve para acalmar os sintomas e atenuar os efeitos da doença no espaço de 24 horas. De facto, a Associação Nacional de Farmácias alerta para o uso “indiscriminado” dos anti-virais no seu “Plano de Contingência para a pandemia” publicado na passada semana, declarando que estes “podem aumentar o risco” de a gripe suína se tornar mais resistente. Todavia, acrescentam que caso ocorra a resistência ao Tamiflu, Portugal dispõe de um stock de um anti-viral de inalação chamado “Zanamivir”, que poderia ser trazido a palco.

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