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Cão de Água Português

O Cão Pescador

O pelo comprido e sedoso dá-lhe um ar maroto, e diz quem conhece bem a raça que se destaca desde logo a sua boa disposição e meiguice. Entre as habilidades dos animais e a dedicação dos donos e criadores, visitámos o maior evento dedicado ao Cão de Água Português realizado em Olhão durante o passado fim-de-semana, de 18 e 19 de Julho.
Edição 585 (23 Jul 2009), Sem Comentários »
Ana Augusto Fernandes
Henry

A tarde quente de Julho não impediu que o pavilhão improvisado, em pleno Jardim do Pescador em Olhão, fervilhasse de agitação no Sábado passado.

Organizado pela autarquia local, com os apoios do Clube Português de Canicultura e Associação para a Protecção do Cão de Água Português, o evento teve por objectivo valorizar uma raça que está intimamente ligada à história de Olhão e do Algarve.

Um dos pontos altos do programa, que incluiu demonstrações, provas aquáticas e actividades de interacção com o público ao longo de dois dias, foi a XXII Exposição Canina Monográfica do Cão de Água, a maior do país.

Este ano, a mostra trocou o Estoril onde habitualmente acontece em Agosto, pelo Algarve. Contou com 38 inscritos, como Pedro Álvares Cabral, um irrequieto cachorro de 18 meses.

“Dócil, confiante, simpático, um pouco teimoso e trabalhador” – são os adjectivos com que Carla Peralta, criadora de cães de água há sete anos, e uma das etólogas portuguesas mais especializadas descreve os traços da personalidade desta raça.

Carla Peralta, 35 anos, é também uma das impulsionadoras deste evento. Desenvolve o seu trabalho no «Canil das Águas algarvias», localizado na Quinta de Marim, em pleno Parque Natural da Ria Formosa.

É um espaço que pode ser visitado pelo público e que ao longo do ano desenvolve projectos educativos para as escolas. Ali, também é possível fazer voluntariado, uma excelente oportunidade para quem quer conhecer de perto esta raça.

Peralta não tem dúvidas ao afirmar que esta raça se enquadra na classe de cães de trabalho. E até tem como o provar. Alguns dos seus cães estão treinados para ajudar o homem.

É o caso de Sol, um macho que tem estado a aprender técnicas de busca

e salvamento.

Em termos históricos, desconhece-se a origem do cão de água português. Acredita-se que já no tempo da civilização Romana existissem antepassados, pois há referências a “canis piscator” ou “canis leo” (em latim), e que também eram utilizados na pesca a ocidente da península ibérica.

Na verdade, até há pouco tempo atrás, antes do advento das tecnologias modernas de pesca, estes animais tinham um papel activo a bordo dos barcos de pesca artesanal algarvios.

“Normalmente, cada tripulação era acompanhada por dois cães e se algum peixe se soltava das redes, eles atiravam-se à água para o apanhar”, lembra João Peres, vereador da cultura e desporto.

Hoje, um dado curioso é que muitos dos donos dos cães presentes na competição são estrangeiros, sobretudo falantes de língua inglesa, como o britânico Keith Brown.

“Ainda temos a avó dele” conta Brown, referindo-se ao seu cão Henry. Não é apenas um animal que serve para participar em competições e concursos, é acarinhado como mais um membro desta família, que possui cães de água há pelo menos uma década.

A difícil tarefa de distinguir os melhores exemplares da raça presentes nas várias categorias, ficou a cargo do juiz Pedro Albergaria.

Entre os aspectos mais importantes a ter em consideração, avaliam-se as características morfológicas da raça e as qualidades e defeitos de cada animal de acordo com as várias classes - masculino e feminino, júnior, intermédio, veterano.

Bem disciplinados e treinados, os cães mostraram-se sempre receptivos às carícias das crianças do público que se encantam com o pêlo comprido na cabeça que lhes tapa quase por completo os olhos.

Também conhecido como “cão pescador”, este animal está fisicamente bem adaptado ao meio aquático. Destacam-se as membranas interdigitais entre os dedos das patas e a capacidade de efectuar apneia (mergulho).

Muitas vezes, provavam ser úteis na recuperação de redes ou objectos perdidos, na troca de mensagens entre as embarcações e a terra e na guarda dos utensílios e artes à noite.

Mas há mais características. É uma raça com uma linguagem comunicativa algo diferente dos outros cães, pois só ladram quando se justifica. Há quem defenda que possuem uma velocidade de aprendizagem superior quando comparada com outras raças.

Outrora, eram tão valorizados junto da comunidade pesqueira que tinham até direito a um salário e um responsável.

Actualmente, o cão de água português tem feito manchetes na imprensa mundial e quem sabe se poderá ajudar a salvar as exportações nacionais, pelo menos em prestígio…

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