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Picture Portugal
Ambições & Ficções

É mais um negócio de milhões para o município, que segundo Manuel da Luz, “contraria a verborreia negativista” da actualidade. De acordo com o autarca visivelmente entusiasmado, o grande objectivo do projecto «Picture Portugal », é criar “um local privilegiado” para acolher todo o tipo de produções nos sectores do cinema, publicidade, videojogos, videoclips, audiovisual e multimédia.
“Sempre entendi que o papel de uma autarquia que defende uma cidade e uma região competitiva, passa por assumir desafios. Por assumir a capacidade de ser um motor de desenvolvimento e de ser facilitadora de condições para projectos que tem de ser necessariamente ambiciosos”, começou por dizer Manuel da Luz durante a apresentação à imprensa.
O projecto principal consiste na criação de 11 estúdios state-of-the-art, a construir em 80 hectares de terreno cedidos pela autarquia de Portimão, prevendo-se que dois deles possam funcionar já em finais de 2010.
Numa primeira fase, pretende-se criar também zonas de pós-produção áudio e vídeo, uma área de cenários exteriores e um «watertank» – uma piscina para filmagens aquáticas e subaquáticas – feito, claro, à escala de tudo o que o autarca ambiciona para o seu município. “Será o maior do mundo”, informou Manuel da Luz.
Os promotores do projecto – onde se inclui a Parkalgar, entre outros investidores privados – pretendem ainda criar um fundo de financiamento de produções cinematográficas rodadas em Portugal – 180 milhões de euros (250 milhões de dólares) para gastar em dois anos. Neste momento, está a ser negociada a produção de dois filmes em Portimão, com um orçamento de 30 milhões de euros, que empregarão 600 pessoas durante 12 meses na cidade.
Outra novidade é a realização de um novo grande festival de cinema em Portimão, a partir de 2011, com exibições dos filmes em plena Praia da Rocha.
De acordo com Joaquim de Almeida, “será dedicado a novos realizadores e terá a duração de cinco dias”. Como um dos argumentos fortes do «Picture Portugal» para atrair cineastas são as várias horas de sol e as condições de luz do país em geral e do Algarve em particular, o novo festival “terá um prémio especial para o melhor director de fotografia”. “Penso que será tão bom ou melhor que o Fantasporto, que é o melhor festival que actualmente temos em Portugal”, sublinhou.
A par da construção dos estúdios – que mereceram, em Janeiro último, uma candidatura favorável aos apoios do PROVERE (Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos) – será também criado um parque temático de diversões, ligado ao cinema, meio audiovisual e mundo automóvel, denominado «Media Park», cujo custo está estimado em 550 milhões de euros.
A instalar em cerca de 150 hectares contíguos aos novos estúdios e ao Autódromo, a estrutura está a ser negociada com a companhia norte-americana «Universal Studios», que detém outros parques temáticos nos EUA e no Japão.
Por outro lado, a autarquia portimonense, através da empresa municipal «Portimão Turis», e a «Algarve Film Commission» está a negociar parcerias com a CBS, em princípio, a primeira interessada em produzir ficção em Portimão.
Está marcada uma reunião para 15 de Junho, em Los Angeles, Califórnia que deverá ser decisiva. Segundo o actor Joaquim de Almeida, seria importante atrair para os estúdios de Portimão a produção de uma nova série/trilogia que o canal norte-americano prepara num futuro próximo.
A presença de Lynn Fero, vice-presidente da «CBS Television Network» em Portimão foi um argumento de peso para convencer os mais cépticos.
“Trabalho há 27 anos na indústria do cinema e televisão nos Estados Unidos. Quando olho para Portimão, para Portugal vejo potencial para que se torne a próxima Hollywood do cinema. Porquê? O país é um tesouro em termos de cenários”, afirmou.
A executiva deixou ainda no ar algum interesse naquele que é o grande forte deste projecto – a possibilidade de poupar dinheiro numa indústria altamente competitiva.
“Neste momento, no estado em que a economia está é importante esticar o dólar ao máximo. E Portugal parece económico, mais barato que Londres, as pessoas falam inglês, e tudo isto conta”, diz.
Fero considera mesmo que “aqui, um cineasta independente pode rentabilizar muito mais o seu orçamento”. A distância entre Lisboa e Nova Iorque, a localização estratégica do país e o clima são outros factores a considerar.
Para servir as necessidades logísticas de executivos e estrelas de cinema, a autarquia de Portimão planeia avançar em breve com as acessibilidades aéreas. “Temos uma estimativa financeira de 80 milhões de euros” para o novo aeródromo de Portimão, segundo informou o autarca.
No final da apresentação, Joaquim de Almeida considerou o projecto “ambicioso”. E deixou uma pergunta retórica - “só porque somos pequenos, não podemos ter ambições?”
Já o autarca não se comediu em matéria de ambição. Fazendo as contas a outros equipamentos previstos para a futura capital do cinema – um centro tecnológico, comércio e serviços, hotéis e outras valências – Manuel da Luz referiu que “estamos a falar num projecto em que o valor total, a 5 anos, ultrapassa os 3 mil milhões de euros. Estamos a falar na criação, a prazo, de 7 mil postos de trabalho directos”.








