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O equipamento indispensável

Descubra a Via Algarviana (III/IV)

Antes de cada etapa, deve fazer alongamentos e exercícios de resistência. É essencial manter o equilíbrio do corpo – além da própria mente. É por isso que de manhã você deveria sempre reservar 5 a 15 minutos do seu tempo para a natureza. Na Primavera os cucos, as poupa e os rouxinóis dão-lhe uma ajuda com os seus cânticos. Se levar estes conselhos a peito e sente-se em boas condições físicas, então faça-se à Via Algarviana. Boa viagem, uma linda caminhada e até à breve.
Uwe Heitkamp, Edição 574 ( 7 Mai 2009), Sem Comentários »
Uwe Heitkamp

Entrada de diário – Barranco do Velho: Depois de cinco dias de caminhada sinto as minhas pernas, a barriga das pernas, os meus músculos, bem como os meus tendões. Sinto-os a cada passo que dou colina acima – desde a base até ao topo, não apenas uma vez, nem duas ou três, mas inúmeras vezes repetidas. Subir até lá e depois descer é cansativo, faz suar e requer potência psicológica. À partida, descer pode parecer fácil, mas não o é. Requer a força de outros músculos. A tíbia e os joelhos doem. Os primeiros 100 quilómetros são percorridos. É mais uma deambulação. O percurso é a subir e a descer novamente, sob o calor tórrido do sol. É sempre uma alegria quando o tempo nos presenteia com um sopro de vento fresco.

A noroeste é refrescante. À nossa direita e esquerda percebe-se que ardeu. Sempre que encontramos estevas que crescem imparavelmente e estreitam os caminhos. E cada vez que vemos árvores mortas sabemos que o território é árido. Que é demasiado quente. E que em breve estaremos num deserto de vida, a que cada vez mais pessoas fogem, refugiando-se nas cidades. E o interior fica despovoado. Fica vazio. As pessoas da cidade esquecem-se da vida com a natureza. Tem medo da natureza. E acerta altura o deserto não lhes dará mais água.

Entrada de diário: Monchique

Começa agora a subida até à Picota. Já percorri 200 quilómetros. As minhas companheiras de viagem desistiram. São ainda mais oito quilómetros. Atrás ficou a Ribeira de Odelouca. A subida vai dos 100 aos 800 metros de altitude. É o décimo dia. Finalmente habituei-me ao percurso e sinto-me em boas condições físicas. Por debaixo de um poste de alta tensão de potência 400.000 volts, estão doze caixas de abelhas. As abelhas tentam atacar-me. Voam directas ao meu rosto como kamikaze. E eu protejo o pescoço e a cabeça com o pulover. É a segunda vez num dia que levo uma picada. Os caminhantes que percorrem a Via Algarviana na Primavera devem ter cuidado e vir munidos de um anti-alérgico comprado na farmácia. No caso das abelhas, entoar uma melodia de zumbidos ajuda. Apazigua-as.

São por exemplo os ténis que são mais propícios a formarem bolhas nos calcanhares. Rebentá-las com uma agulha e linha apenas melhora por pouco tempo. Durante a noite o líquido escorre e a pele sara.

Quem não consegue viver sem café e cigarros e se alimenta erradamente e com pouca regularidade, sente-se permanentemente exausto ao fim dos primeiros dias. Demasiada cafeína e nicotina mantêm o corpo e a mente constantemente acordados, sobretudo durante a noite. E sem o necessário sono profundo, torna-se impossível recuperar as energias que foram consumidas durante o dia. E a consequência é o colapso. É pena, mas daqui em diante caminho sozinho.

Entrada de diário: Barão de São João:

12º dia. Chuva. É mesmo importante o equipamento. As botas têm que apertar bem nos tornozelos, para que não haja entorses. Quem percorre a Via Algarviana, tem pela frente 14 dias seguidos de caminhada. Não deve trazer mais do que 10 quilos às costas. E além disso é também importante trazer protecção adequada para o sol, como um chapéu de palha, um boné, um lenço, um capuz e um protector solar. Como protecção contra a chuva é importante usar calças e casacos impermeáveis. Na mochila o caminhante deve trazer um kit de primeiros socorros, com pensos e desinfectantes (por exemplo betadine). O kit deve também incluir compressas, agulhas, lupas, pinças, espelhos e ligaduras, bem como cremes e pomadas que tenham efeito relaxante sobre os músculos (Voltaren). Além disso há que trazer uma lanterna e uma pequena bússola que são essenciais nas caminhadas nocturnas. Também um bastão para ajudar nas subidas e descidas. Uma máquina fotográfica e um gravador para registar episódios que certamente vamos esquecer mais tarde. Papel e caneta e uma muda de roupa: umas calças extra são o suficiente, três t-shirts, sabão, toalhas de mão, um bom livro (algo que sempre quis ler), bons mapas da Via Algarviana. Qualquer caminhante pode descarregar os mapas do Website www.viaalgarviana.org . Nos dias piores leve consigo alguma glicose e sempre água suficiente, pelo menos 1,5 litros. Eu opto por levar nozes, amêndoas, passas, flocos de coco, pinhões, etc, que dão energias. Deixe em casa a coca-cola, a cerveja e outros estimulantes.

É importante comer frutas. Para percorrer a Via Algarviana é indispensável fazer uma boa alimentação, regulada e intervalos. Opte por beber chá de hortelã quente. Pondere uma mistura de bela luísa e camomila ou outras ervas aromáticas, que ajudam o caminhante a manter-se em boas condições físicas. Esqueça o café, os cigarros, a cerveja. Nada contra um bom copo de vinho tinto à noite – mas apenas um copo, não uma garrafa inteira.

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