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Onde pernoitar – o que comer?
Descubra a Via Algarviana (II/IV)

Há muito tempo que nos outros pontos da Europa, existe este entendimento. Na Alemanha, por exemplo, há mais do que 1.600 associações de caminhantes - registadas oficialmente - que fazem caminhadas pedestres por todo o mundo: pelos Himalaias, nas Montanhas Rochosas, nos Alpes e na Nova Zelândia. Na Grã-Bretanha, há já várias gerações que centenas de milhares de amantes da natureza dedicam o seu tempo livre à observação de aves. E a antiga rota peregrina da Via Algarviana é bastante melhor quando comparada com os intensamente percorridos caminhos de Santiago de Compostela, na vizinha Espanha.
Aparentemente, em Portugal os caminhantes são reconhecidos por virem de mãos a abanar, pelas suas botas anti-transpirantes e pelos músculos das pernas bem treinados. Não representam grandes lucros. E nenhuma indústria de vestuário com a sua moda pode lucrar com eles. E além disso, também não são consumidores de massas. Nem pilotos de corridas ou golfistas. Uma caminhada não se trata de sair vencedor, de ganhar algo, de ser o primeiro a chegar. Significa simplesmente o “retorno à natureza”.
Mas a Via Algarviana não é um retorno fácil à natureza. Para muitos, superar de uma só vez cerca de 340 quilómetros em 14 dias, é um verdadeiro teste às suas capacidades físicas e mentais. Etapas diárias de 15 a 30 quilómetros não dão perspectivas de verdadeira dificuldade. Porém, existe um princípio fundamental: que quem esteja totalmente dependente do tabaco, do café e das bebidas alcoólicas, e que caminhe de ténis, o melhor é percorrer esta travessia apenas aos domingos em viagens diárias.
Após os primeiros três dias de caminhada - que equivalem a um treino intensivo - e depois de percorridos os primeiros 80 quilómetros entre Alcoutim e Cachopo, o amante da natureza sabe desde logo onde está metido e o que o espera nos restantes 11 dias. A subida até à Serra de Monchique é certamente o ponto alto do décimo dia. Todavia, uma coisa é certa para todas as etapas: a caminhada é a meta – e começa em Alcoutim e termina no Cabo de São Vicente. É preciso persistência para lá chegar.
Para isso, o participante necessita de praticar uma alimentação regular e boa, rica em proteínas e vitaminas. Por isso, a equipa do Algarve123 levou consigo muitos frutos secos: figos, tâmaras, passas, nozes e amêndoas. Fizemos um sortido de todos os que encontrámos no mercado. Na mochila incluímos também água, glucose, frutas e o indispensável pão de queijo. Todos os dias, antes e durante a caminhada, reabasteciamo-nos de mantimentos. Numa longa caminhada importa também ter uma cama confortável, para relaxar os músculos e os tendões durante o sono. Depois, faziamo-nos à nossa longa jornada. Ao longo da Via Algarviana, testámos as pousadas e restaurantes, conversámos com várias pessoas e encontrámos muitos cães. Apresentamos-lhe aqui e agora os resultados do nosso teste.






