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Ensino Profissional em Alte
O Futuro está na Escola

Querem empregos activos. Não se importam de jogar mãos à obra. Nem de mexer nos tijolos e nas ferramentas. Querem vestir o fato-macaco ou a bata de laboratório com o mesmo à vontade. Querem uma vida diferente e não deixam que a mentalidade tacanha lhes hipoteque o futuro profissional. Falamos de alunos e professores de uma escola que nasceu num lugar improvável e que hoje é um exemplo para a região.
Tem cerca de 200 jovens. Chegam de todo o Algarve, do Alentejo, dos Açores e até de Cabo Verde. “Quando acabam os estudos, obtêm a certificação escolar de nível secundário e também uma certificação profissional de nível III. São alunos que frequentam áreas de formação de turismo, comércio, processamento e controlo da qualidade alimentar, gestão e programação de sistemas informáticos, design gráfico e construção civil nas variantes de desenho e condução de obra”, explica Aníbal Coelho, director e um dos impulsionadores desta instituição.
Na maioria, os alunos vêm motivados por uma alternativa ao ensino tradicional, que apenas exige o decorar de conteúdos - na maioria, destinados ao esquecimento. Um modelo de ensino sobre o qual Aníbal Coelho tem dúvidas. “Actualmente, o mercado de trabalho precisa é de pessoas que saibam fazer coisas. Precisa de pessoas dinâmicas, capazes de comunicar e com iniciativa que sejam polivalentes, que saibam resolver problemas, que resistam à frustração e procurem soluções”, considera.
“Aqui privilegiamos as aulas práticas em contexto de trabalho. E ao longo do ano fazemos várias visitas de estudo a locais de interesse das diferentes áreas de formação. Por exemplo, um aluno de comércio tem de conhecer e ter contacto com empresas”, explica.
Por outro lado, numa economia cada vez mais competitiva e difícil, as próprias firmas estão receptivas a estes formandos. “Repare, quando as empresas abrem as suas portas estão a abrir um canal de comunicação com um possível futuro empregado. Mas também estão a vender a sua estratégia comercial e os seus produtos”, considera.
“Quando concluem os estudos, os nossos alunos conseguem encontrar trabalho.
Em média, as nossas taxas de empregabilidade rondam os oitenta por cento. Mas também temos muitos jovens que proseguem estudos no Ensino Superior. Os níveis que aqui se conseguem permitem aos jovens o prosseguimento de estudos, embora o nosso objectivo é sempre a saída para o mercado de trabalho”, acrescenta.
O segredo do sucesso está, segundo Aníbal Coelho, nas pessoas. “Temos um corpo docente que trabalha nestas dinâmicas já há alguns anos, que já tem algumas rotinas e já sabe como agir, como proceder para melhorar a aprendizagem. E daí, parece-nos que o que fazemos vai de encontro às necessidades do mercado, às necessidades dos jovens e das famílias que nos procuram”, contabiliza.
Este ano lectivo (2008/09) tem sido uma adaptação às novas instalações. Dividem-se numa área de mais de 3.000 m2 de área coberta e são compostas por dois pisos, com 9 salas de aulas, uma biblioteca, uma moderna sala de informática e um auditório para 118 lugares, para além do parque de estacionamento no seu exterior e de todos os arranjos na envolvente exterior.
A obra teve um custo de aproximadamente 2 milhões de euros, dos quais 1,6 milhões de euros foram suportados pela Autarquia de Loulé e o restante montante um financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
Numa altura em que a desertificação e o abandono do interior começa a ser um problema grave, a Escola Profissional Cândido Guerreiro é um exemplo que inverte esta triste realidade portuguesa.
“Sim, é verdade. A própria escola cria emprego, pois precisa de auxiliares e administrativos. Neste momento, emprega em permanência cerca de cinquenta pessoas. Por outro lado, motivou-se o poder público a fazer um investimento aqui, que influencia todo o meio envolvente. Qual é a autarquia deste país que investe 1 milhão de euros num projecto escolar numa aldeia como esta? Agora o desafio é consolidar e manter a estrutura a funcionar por muitos anos”, diz.
Mas em relação ao futuro, e apesar de mais escolas secundárias estarem a abrir cursos profissionais semelhantes, o director está optimista. “O facto dos alunos virem para o interior também traz vantagens comparativamente às escolas dos centros urbanos. O relativo isolamento permite que se concentrem melhor. Há menos coisas a disputar a atenção dos alunos, que além disso, são aqui acompanhados em permanência. Repare, recolhemos os alunos de manhã e são entregues ao final do dia na residência”, considera.
A escola é financiada pelo Fundo Social Europeu. Até ao ano passado, os alunos pagavam €24,49 de propina mensal. A partir deste ano já não é necessário qualquer pagamento. Os alunos também recebem um subsídio de alimentação pago em função da frequência. E sempre que necessitam de alojamento, a escola também fornece esse apoio. Este ano, contudo, estas regras estão a mudar com a entrada do novo quadro de apoio comunitário. Refira-se ainda que a escola fornece todos os materiais escolares. As sebentas são compiladas pelos professores. Não é preciso gastar fortunas em livros e manuais. Os alunos só compram lápis e papel. Tudo o resto é fornecido.
“Depois, também temos a funcionar desde Maio passado, um Centro de Novas Oportunidades”. O que é isso? “Imagine um indivíduo que trabalha há muitos anos numa tipografia. Conhece tudo sobre tintas e processos de impressão. Se calhar está familiarizado com novas tecnologias e computadores há vários anos. Provavelmente, terá competências ao nível do secundário. Mas para as ver reconhecidas é uma complicação de todo o tamanho.
Se fosse à escola, provavelmente dir-lhe-iam para frequentar aulas nocturnas e sabe-se lá mais o quê. Este novo sistema é mais fácil. As pessoas inscrevem-se, respondem a uma entrevista e depois são encaminhadas para um processo de construção de um currículo”. “Antes, só valia o currículo escolar. Felizmente, as coisas estão a mudar. Repare que ao longo da vida, as pessoas aprendem. São obrigadas a aprender para sobreviver”, conclui.








