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Diana Gomes da Silva

A “Rainha” do céu

Chama-se Diana Gomes da Silva, tem 26 anos e é a mais nova mulher do mundo a fazer acrobacia aérea e a única na Península Ibérica. A sua aventura nos ares começa quando por iniciativa própria decidiu tirar a licença de Piloto Particular de Aviões (PPA). Trabalhou durante um ano para pagar aquele curso – e, logo no seu primeiro voo, percebeu que era aos comandos de um avião que queria estar. Hoje é co-piloto da SATA, nas rotas de médio-curso, aos comandos de um Airbus A320, e não lhe faltam planos para o futuro.
Bruno Filipe Pires, Edição 639 (12 Ago 2010), 1 Comentário »

Encontrámos a jovem aviadora numa pausa para descanso no ambiente familiar do aldeamento das Pedras del Rei, Tavira. Em entrevista, revela que vai formar uma equipa de acrobacia com João Bettencourt, piloto da TAP, namorado e parceiro. A ideia é participarem em campeonatos internacionais.

Como diz a “Rainha” – alcunha dada pelos colegas – pretendem, também, revolucionar a forma de fazer publicidade aérea em Portugal e abrir uma nova escola de segurança de voo em Tires.

Como gere esses dois lados tão distintos da aviação? A linha aérea, em que tudo tem de ser certinho, e a acrobacia que é muito mais emotiva?

Em ambos, as bases do voo são exactamente iguais. Toda a gente pensa que só na aviação comercial é que tudo tem de ser muito certinho. Em acrobacia aérea, tudo é muito mais rigoroso. Desde o momento em que descolo, estou concentrada em todas as manobras que vou fazer - vou subir a altitude x, a velocidade x, vou voltar, vou fazer esta sequência de manobras, vou sair e fazer outra, enfim, está tudo previsto até ao momento em que aterro. Portanto, um voo de acrobacia é muito mais pensado que um de linha aérea, que muitas vezes, acaba por se tornar uma rotina.

Há espaço para as emoções?

Sim, claro! É tudo muito trabalhado a nível intelectual, mas ao mesmo tempo é uma descarga de adrenalina indescritível.

Como é que a aviação entra na sua vida?

Bem o meu avô Carlos, pai da mãe, tinha um avião em Angola, mas nunca me passou essa paixão. Ele faleceu quando eu tinha 13 anos, e nunca falámos de aviões. Até porque eu sempre quis ser astrofísica. Contudo, aos 17 anos, não pude seguir essa via, por vários motivos. Um deles foi o facto de as médias em Portugal para entrar no curso serem muito elevadas. Então, como gostava muito de aviões, decidi ir por aí.

Alguém a incentivou a voar?

Não, ninguém. No princípio, nem mesmo os meus pais me apoiaram. Acho que é uma profissão que é preciso ter uma apetência. Ter jeito facilita imenso.

Que quer dizer com ter jeito?

Acima de tudo, é gostar disto incondicionalmente. A motivação é tudo na vida, independentemente de qualquer que ela seja. Mas a motivação financeira, que leva erradamente muitas pessoas a profissões, não chega para uma pessoa ser tecnicamente boa.

Acha que há pessoas a voar apenas pelo dinheiro?

Sim. Penso que nos últimos anos houve um boom muito grande de pessoas que procuraram a aviação por uma questão de investimento, não naquilo que gostam, mas económico.

Ainda existe a ideia que os pilotos têm uma vida maravilhosa…

Não ganho mal, mas pagam-me a responsabilidade que tenho. E no fundo, pagam-me os fins-de-semana que não passo em casa, o Natal e os feriados que passo sozinha, as férias que não tenho.

Estamos mais expostos às radiações cósmicas e temos uma probabilidade de desenvolver cancro de pele ou noutro órgão muito superior à de uma pessoa normal. Estudos recentes mostram que um piloto tem uma esperança média de vida inferior à de outro profissional.

Sabia disso quando escolheu a carreira?

Não, tenho vindo a descobrir. Mas quando fiz o meu primeiro voo, decidi logo que era isto que queria da minha vida.

Acha que há uma cultura aeronáutica em Portugal?

Muito pouco. Mas noto que há um potencial muito grande, e que as pessoas adoram aviões em Portugal. Outra coisa que noto é que tenho tido um apreço enorme, e tenho tido muita gente a apoiar-me. Não estava nada à espera, de todo. Por outro lado, posso dizer que ainda há pouco tempo tive uma reunião com uma empresa grande que me disse: “para nós só existe o futebol”.

Como reagiu?

Na vida, só temos duas opções quando ouvimos coisas que não gostamos. Quando achamos que um desafio é intelectualmente estimulante, continuamos a discussão. Ou então, nem vale a pena continuar.

Foi o que fiz. Não posso justificar a uma pessoa que me dá uma resposta destas, que sou piloto de linha aérea, que tenho que estudar, que tenho de ir a simuladores, que tenho todo um empenho físico e sobretudo intelectual que não me permite errar. Um jogador de futebol dá um pontapé, não marca o golo e está tudo bem. O erro em qualquer tipo de aviação, pode custar a vida.

Qual é a vida de um piloto de acrobacia?

Isso é uma boa pergunta. Até agora tem sido um grande investimento pessoal. Estou neste momento a tentar mudar a maneira das pessoas verem a acrobacia em Portugal. Há várias formas de a tornar financeiramente sustentável. Uma delas é a publicidade. É ter um avião associado a uma marca.

Porque escolheram o Pitts Special?

Para mim é o avião mais bonito do mundo. Tecnicamente, é muito difícil de voar, é um desafio enorme. Porque é um avião dos anos 60, e apesar de ter o charme de ser um biplano, isso também traz algumas desvantagens. Mas no geral, é uma máquina fantástica. O meu tem três pás na hélice, o que lhe permite fazer manobras giroscópicas.

Onde está o seu avião?

Está em Tires. A autarquia de Cascais tem-me apoiado. É lá também que pretendemos abrir a curto prazo uma escola de segurança de voo.

É útil para um piloto de linha aérea saber acrobacia?

Sem dúvida, a acrobacia e as atitudes anormais melhoram muito a performance. Ajuda o piloto a responder de uma maneira mais calma a qualquer coisa que sai do standard.

Que dizem os seus colegas da SATA?

O sentimento geral é de admiração. Apoiam-me e respeitam-me imenso.

Já apanhou alguns sustos na sua carreira?

Os maiores sustos da minha vida até hoje foram nas estradas portuguesas. À parte disso, na acrobacia, graças à formação que tenho e aos princípios que sempre incuti, nunca tive nenhum. Na linha aérea, sim. Tive um birdstrike, um pássaro que partiu o nariz do meu Airbus A320. Uma vez tive um trem de aterragem que não desceu. Já tive indicações erróneas de velocidade, que é das emergências mais complexas que podemos ter.

Considera que é um modelo para as mulheres portuguesas?

Completamente, pelo meu percurso de vida, por ser muitíssimo determinada em seguir os meus sonhos. Claro que tive de abdicar de muita coisa. Há aquele lado familiar que as mulheres têm em primeiro lugar, e que eu neste momento não tenho e como é óbvio está em segundo plano devido à parte profissional.

E corridas aéreas?

Sim, é um objectivo. Mas tenho de evoluir mais tecnicamente para entrar numa competição como a Red Bull Air Race. Para o ano vou entrar na Reno Air Race, nos Estados Unidos.

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Comentários
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força Diana sou amigo dos teus pais e sou o marido da prof. Celina.
um dia tens de me tirar o medo de voar. bj e boa sorte
velhinho, Porches, 12 Agosto 2010 02:45