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http://www.formacoesnoalgarve.blogspot.com/
Quem quer formação no Algarve?

Passam muitas noites a vasculhar a Internet em busca de oportunidades para aprender algo novo. No princípio, o critério de escolha que faziam para o blog ia ao encontro dos gostos e das necessidades das fundadoras – cursos na área da educação, intervenção social e psicologia.
“Pensámos que poderíamos criar uma plataforma para jovens universitários, ou recém-licenciados que não têm muito a noção de que tipo de entidades formadoras existem no Algarve, nem onde é que podem consultar informação sobre iniciativas de formação”, explica Eliana Calixto.
Então, “enviámos um e-mail a várias entidades da região, a informar a nossa existência e disponibilidade, sem qualquer tipo de custos ou encargos para divulgar as suas iniciativas. Solicitámos que nos enviassem simples informações, em qualquer formato, um link, fosse o que fosse, que nós faríamos a adaptação ao formato do nosso blog”, explica Sofia Justino.
“Achávamos que acabávamos por publicitar o trabalho dessas entidades, e de certa forma, facilitar o seu contacto com o público-alvo”, acrescenta.
Mas “o que aconteceu é o que normalmente acontece – não nos respondem”, lamenta.
Apenas duas entre as dezenas de entidades contactadas responderam à iniciativa das jovens, algo que consideram caricato.
“Quando vamos a um website e nos inscrevemos para receber a newsletter, começamos logo a receber informações. Ou seja, se muitas entidades já fazem esse serviço, porque não responderem a um pedido directo?”, interroga Sofia.
“Apesar de já existirmos há mais de um ano, ainda temos de ser nós próprias, a pesquisar na Internet, os websites de todas as entidades que conhecemos, uma a uma, semanalmente para ver o que existe de novo.”, diz Eliana Calixto, reconhecendo a falibilidade do método.
Cada vez mais empenhadas em levar o projecto para a frente, criaram um grupo e uma conta, respectivamente, nas redes sociais Facebook e Twitter, o que aumentou bastante o número de visitantes, a uma média crescente de 20 por dia.
Entretanto, começaram também a abrir o blog a outras áreas do conhecimento - ciências, história, informática, saúde, cinema. E no futuro ambicionam divulgar ofertas de formação de idiomas, como por exemplo, português para estrangeiros – ou não estivéssemos numa região multicultural.
Apesar das dificuldades, garantem que o projecto é para continuar, pois “já temos alguns seguidores, e por isso sentimos que já temos um compromisso”.
Dificuldades na comunicação
Se a aderência de quem presta serviços de formação foi pouco entusiasta, para espanto de Sofia Justino e Eliana Calixto, também quem visita o blog não revela uma atitude muito diferente.
“Gostávamos de ter algum feedback por parte das pessoas. Se estão interessadas, ou não num projecto deste tipo. Se as ofertas de formação que pomos no blog são interessantes, ou não? Quais as áreas que gostariam de ver apresentadas?”
“Nós pedimos também às pessoas para nos darem um feedback das formações a que vão. Penso que temos todos o direito e o dever de criticar, seja positiva ou negativamente.
E por isso, achamos que o blog também poderia ser um centro de debate e de discussão”, diz Sofia Justino.
Mas a realidade mostra que “é muito complicado ter a aderência das pessoas de uma forma geral. É verdade que na nossa geração existe muita gente com espírito crítico. Mas as coisas ficam muitas vezes em conversas de café”, acrescenta.
“Acho que é por isso que muita gente desiste de fazer coisas”, lamenta.
Na opinião das psicólogas, a razão da inércia, da falta de comunicação e de reivindicação no Portugal de hoje “tem a ver com muitos factores sociais, culturais e educativos.”
“O português é conformista, é “logo se vê”, é “vai com os outros”, é “vai-se fazendo, mas não se faz” – por muitas novas gerações que existam! Se formos a ver bem o 25 de Abril não foi assim há tanto tempo e por isso mesmo ainda hoje se mantém uma certa mentalidade retrógrada ou conservadora, que por muito que nós jovens não queiramos, acabamos por herdar. Acho que tem de passar muito tempo para que haja realmente uma revolução nas mentalidades”, concluem.
Formação, útil ou nem por isso?
Como se pode ver no blog, o universo da formação é um campo vasto.
“Repare, há vários tipos de entidades formadoras. O Hospital às vezes pode ser uma. As Bibliotecas e as Juntas de Freguesia também o podem ser de forma ocasional. Depois existem as entidades permanentes”, por exemplo, as empresas que prestam esses serviços.
Sofia Justino e Eliana Calixto acreditam convictamente na importância da formação enquanto valorização pessoal e profissional. Mas sabem que também há muita coisa de interesse discutível. “Sim, há muito aquela prática de debitar conteúdos.
Até muitos workshops são mais teóricos que práticos”, critica Eliana Calixto.
“Compreendo que tenha que haver uma componente teórica para se passar à prática. Mas muitas vezes, ficamos apenas nisso, na teoria. E acabamos por sair a pensar que faltou qualquer coisa, como a troca de experiências, ou a apresentação de projectos. Coisas práticas, exemplos concretos”, diz Sofia Justino.
“É que a teoria, encontramos nos livros e na Internet. O que faz falta é o encontro de pessoas de diferentes áreas”, concluem. Por outro lado, muitas pessoas hoje têm receio de investir em formação. Porquê? “Se calhar porque no final é mais uma coisa para acrescentar ao currículo. Não traz muitas vantagens”.
Na verdade, até o próprio sistema de ensino oficial não está bem. As jovens são o exemplo pragmático.
A recém-criada Ordem dos Psicólogos “instaurou que a partir de certa data, quem não tivesse um estágio profissional de 12 meses ou 18 meses de experiência profissional não poderia exercer Psicologia”, explica Eliana Calixto.
Isto significa que “quando acabámos o curso fomos informadas que não poderíamos exercer. Nem sabemos quando nem como poderemos reunir as condições para trabalhar naquilo para que estudámos…”







