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Parque Solar do Interior Alentejano

No Alentejo, o futuro é o Sol!

Há algo diferente nas planícies do Alentejo. Entre chaparros e oliveiras, surgem agora milhares de painéis fotovoltaicos. Captam uma das maiores riquezas disponíveis aqui – o sol. Com terrenos disponíveis para aluguer, e centenas de horas de luz por ano, o interior alentejano não escapa à mira dos estrangeiros interessados nas energias renováveis. Mas até que ponto é um negócio sustentável? E a tecnologia actual é realmente limpa e verde? Que impactos produz na natureza e nas povoações vizinhas? Encontrámos resposta para algumas destas questões no Parque Solar do Interior Alentejano (PSIA), próximo de Almodôvar. No passado Sábado, 27 de Março, acompanhámos uma visita técnica organizada pelo Núcleo Regional do Sul da Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente (NRS-APEA).
Bruno Filipe Pires, Edição 620 (31 Mar 2010), 1 Comentário »
Bruno Filipe Pires

No café da aldeia do Rosário, já ninguém liga à vista. Mesmo em frente, surgem no horizonte alguns dos 12 780 painéis solares instalados em 426 torres nos dois terrenos próximos. “Agora estão a construir outro na estrada para as minas de Neves Corvo”, revela-nos um dos populares.

De dimensão média, o Parque Solar do Interior Alentejano (PSIA) é “um bom exemplo do tipo de projectos que Portugal necessita”, considera o engenheiro Jorge Dallot, 56 anos, técnico responsável pela infra-estrutura. “Na conjectura actual, o país não precisa de obras públicas megalómanas. Precisa de projectos sustentáveis e financeiramente possíveis de executar”, defende.

Inaugurado em Novembro 2007, resulta de um investimento de 12 milhões de euros da empresa alemã WPD AG. Fundada em 1996, esta companhia começou a desenvolver projectos de energia eólica na Alemanha. Hoje, explora energias renováveis em 11 países.

“Este parque fotovoltaico tem uma capacidade instalada de 2,15 megawatts. Tem uma produção anual de 4,45 gigawatts/hora. É o suficiente para cerca de 2000 famílias viverem”, explica Dallot.

Prevê-se que funcione durante 25 anos. E que fique amortizado (isto é, pago na totalidade) num prazo de 9 anos.

Em média, este parque permite poupar 2100 toneladas em emissões de gases de efeito de estufa (CO2) comparativamente com uma produção equivalente a partir de combustíveis fósseis.

Para se ter uma ideia da sua dimensão, comparativamente, a Central Solar Fotovoltaica de Brinches (Serpa), uma das maiores do mundo, custou cerca de 61 milhões de euros e produz quase 20 gigawatts/hora de energia por ano para a Rede Eléctrica Nacional. Ou seja, quatro vezes mais.

Mas não faltam aqui motivos de interesse. O parque ocupa cerca de 22 hectares.

A vida natural não parece incomodada, a julgar pelas perdizes e lebres que vimos correr à solta entre os painéis. E pelos bandos de cegonhas que o sobrevoam no céu, tranquilamente.

De facto, os terrenos, apesar de ocupados, conservam a sua função original – a pastorícia. Rebanhos de ovelhas pastam aqui, por entre as torres solares.

“Esta é o que nós consideramos uma estrutura abandonada. Ou seja, não está aqui ninguém permanentemente. Existem sim, sistemas automáticos que nos permitem saber tudo o que se passa através da Internet nos nossos computadores pessoais”.

Por outro lado, em termos de segurança, os riscos são mínimos. Todos os cabos eléctricos estão no subsolo. Há pára-raios e e os seguidores solares colocam-se automaticamente na posição horizontal em caso de ventos fortes.

Uma série de câmaras vigiam o perímetro. Aliás, a nossa visita foi certamente observada em tempo real, em Bremen.

Os painéis (mono e policristalinos) são feitos à base de silício (areia) no Japão pela Kyocera.

Não são estáticos. Acompanham o azimute do sol ao longo do dia, movendo-se em dois eixos independentes. Motores alimentados pela electricidade produzida no parque, rodam e elevam os painéis para optimizar o rendimento. No seu estado ideal, conseguem aproveitar 13,5 por cento da irradiação solar que captam, para produzir energia eléctrica.

Para evitar sombras, as torres estão afastadas cerca de 20 metros entre si na perpendicular. Por cada seis, há uma equipada com uma caixa eléctrica que concentra a electricidade produzida pelo conjunto.

Depois, é preciso transformar a corrente contínua em corrente alternada - que é a que circula na rede e alimenta as tomadas domésticas.

Isto é feito por umas máquinas chamadas inversores de corrente. Só então é entregue à EDP.

É neste processo que se produz o impacto ambiental mais perceptível ao longo do dia – o ruído. Ainda assim, as potentes motos todo-o-terreno que aceleram a fundo nas proximidades incomodam muito mais.

No centro de comando, um computador industrial faz toda a gestão. O software utilizado foi desenvolvido pela Siemens. “É igual ao utilizado em fábricas e centrais nucleares”, explica Dallot.

De leitura simples, o menu principal apresenta vários valores em tempo real – dados meteorológicos (temperatura e irradiação solar), energia produzida e as performances do parque.

Basta um toque no monitor para consultar gráficos de rendimento diário, mensal ou anual. Ao longo do dia, o rendimento dos painéis varia.

“Normalmente, entre as 10h00 da manhã e as 16h00 há uma linha contínua. Depois, começa a decair”.

Ao contrário do que se possa pensar, Primavera e Outono, são as melhores alturas do ano. Isto porque as temperaturas amenas permitem menos perdas de energia.

Assim, é fácil perguntar - porque motivo não há mais parques destes? “Não se fazem mais porque o Governo, em 2006, limitou a produção solar no país a 150 megawatts. Isto inclui tudo, desde as grandes centrais à micro-geração doméstica. Sei que existem 26 megawatts de licenças que não foram emitidas, e das que foram, ninguém sabe quantas estão realmente executadas.”

Apesar de crítico, Dallot encara o futuro “com muito optimismo”. “Recentemente, o Governo aprovou uma política de energias renováveis para o período de 2010/ 2020. E estabeleceu metas muitíssimo ambiciosas para o país, que nos irão colocar no pelotão da frente. Vamos ver como vai ser na prática, ao conceder as licenças aos privados.”

Por outro lado, “não é interessante para o país só tirar partido das renováveis. Há que criar uma indústria. Há que dar empregos às pessoas. Não faz sentido nenhum importar 90 por cento dos equipamentos que instalamos. Temos condições para produzir uma boa percentagem cá”, concluiu.

Relativamente ao Algarve, onde sol não falta, o problema é que a maioria dos terrenos estão reféns da especulação imobiliária.

“Estive ligado à instalação de um parque de 10 megawatts em Paderne. Mas o Ministério do Ambiente obrigou o dono do projecto a remover 100 mil toneladas de entulhos que estavam lá, e que não fomos nós que colocámos, foi a Marina de Albufeira”, disse.

“Isso inviabilizou o projecto e fomos fazê-lo em Ferreira do Alentejo”.

Resta dizer, que o proprietário alemão desta central é sensível à educação ambiental e abre as portas sempre que alguém interessado o solicita.

“Temos tido inúmeras visitas de escolas, desde os mais pequenos aos universitários”.

No futuro, o Parque quer expandir-se para aumentar a produção em 10 por cento – o suficiente para usufruir da totalidade da licença de exploração.

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more licence problems to strangle the country,
karl, Quarteira, 7 Abril 2010 20:17