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Ecoteca de Olhão/ Chalé João Lúcio

Um mundo melhor começa aqui

A Ecoteca de Olhão, um dos mais belos exemplos de património arquitectónico da região algarvia, promove uma participação activa da sociedade civil nas questões do ambiente. Instalada no Chalé João Lúcio, outrora moradia do poeta e escritor olhanense, funciona como espaço didáctico e pedagógico. O objectivo é informar e sensibilizar a comunidade, sobretudo as gerações mais jovens. Até final de Agosto de 2010, há uma série de actividades em que todos poderão participar. Descubra-as connosco!
Bruno Filipe Pires, Edição 609 (14 Jan 2010), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires
Fátima Monteiro é a directora da Ecoteca de Olhão desde há quatro anos.

É o quarto ano que Fátima Monteiro, 38, está à frente da Ecoteca de Olhão. O balanço é positivo. “No início, foi realmente difícil começar a ganhar público. Neste momento, dá-nos realmente bastante satisfação criar actividades, pois as pessoas procuram-nos e têm interesse. Percebemos que estamos a trabalhar para a comunidade”, explica.

Da rede inicial, estabelecida a partir de 1997, estão actualmente em actividade três ecotecas em Portugal continental – Olhão, Serras de Aire e Candeeiros e Macedo de Cavaleiros. Curiosamente, nos Açores há oito.

“A ideia é que aqui as crianças se divirtam a aprender. Contamos histórias, fazemos jogos, explicamos as exposições temáticas, vemos filmes. Tudo para se criar uma experiência enriquecedora, para que eles não esqueçam da mensagem” ambiental, explica a coordenadora.

Ao abrigo de um protocolo de cooperação celebrado entre os Ministérios da Educação e do Ambiente, cada Ecoteca tem como coordenador um professor, requisitado em regime especial. A vantagem é que estes profissionais estão mais próximos das necessidades pedagógicas das escolas. A desvantagem é a instabilidade laboral. Fátima Monteiro sabe apenas que vai aqui ficar até 31 de Agosto. “É assim todos os anos. Isso limita-nos muito porque não podemos fazer um plano mais alargado”, lamenta.

O trabalho com as escolas tem cada vez mais procura e é feito em parceria. “Construímos projectos com os professores, logo no início de cada ano lectivo, de acordo com as matérias e temáticas que lhes interessa aprofundar”. As actividades são todas gratuitas para as crianças.

Contudo, a logística é um enorme problema. “Temos vindo a notar que há cada vez mais dificuldade para as escolas dos vários concelhos do Algarve arranjarem transporte. Há interesse, mas não conseguem cá vir”, lamenta.

Ainda assim, em 2009 tiveram um total de 7059 visitas. A maior procura é do primeiro ciclo (58 por cento do total de visitas em 2009). Mas também recebe alunos desde pré-escolar (20 por cento), ao ensino secundário e público em geral (7 por cento).

Professora de Educação Visual e Tecnológica, Monteiro garante que a ecoteca de Olhão esforça-se para ter uma oferta para os adultos, praticamente todos os meses.

Com recursos limitados e sem um orçamento, a dinâmica faz-se na base da cedência de instalações. “O que fazemos é convidar pessoas para virem dar acções de formação ao público em geral. Claro que, muitas vezes, os formadores vêm de longe e a participação nas actividades tem de ser paga pelos interessados em participar”, esclarece.

É o caso da primeira actividade de 2010. No próximo Sábado, dia 23, a formadora alemã Clare Kundert inicia um curso prático de Agricultura Biodinâmica. Vai decorrer nos dias 30 de Janeiro, 20 e 27 de Fevereiro, sempre das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.

Será um curso intensivo, que consiste numa série de quatro workshops, com o objectivo de ensinar os processos de implementação em hortas e jardins. Cada terá aulas práticas e teóricas que vão ser acompanhadas por um manual básico a ser distribuído a cada participante.

A Biodinâmica é uma corrente que considera a Terra como uma entidade viva. Privilegia as forças e ritmos energéticos da natureza. É isso que a distingue das restantes práticas agrícolas. Clare Kundert vai falar sobre o solo e boas práticas de cultivo, o papel da Lua e a sua ligação com as plantas, a compostagem, controlo de bichos e doenças, a escolha de sementes, entre outras matérias.

Esta acção de formação tem o custo de 120 euros. Mas a formadora facilita o pagamento aos interessados e não quer que ninguém fique de fora por dificuldades financeiras.

É possível trocar serviços pelo curso.

No programa para 2010, também há eventos sem qualquer custo. “Acolhemos pessoas que têm interesse em divulgar os seus trabalhos e por isso são gratuitas”, explica.

Por exemplo, palestras, apresentações de livros ou concertos de bandas em fase de lançamento de carreira. Monteiro sublinha que as portas estão sempre abertas à iniciativa cultural e científica. Todas as ideias serão sempre bem-vindas.

Um exemplo prático é o caso da palestra «Aprenda a tirar partido da energia solar», por Pedro Soares. Vai dar concelhos sobre o potencial das novas tecnologias de aquecimento e geração de energia eléctrica. Excepcionalmente, acontece na Escola Secundária Dr. Francisco Fernandes Lopes, em Olhão, dia 21 de Janeiro pelas 19h30.

A pensar nas famílias, no dia 6 de Março acontece um workshop de «Culinária colorida para pais e filhos».

“Às vezes afastamos muito as crianças dos perigos, mas se as envolvermos com segurança é possível criar uma relação mais afectiva com os alimentos”, diz.

A formadora é a alemã Chirstiane Grimm, apoiada pela filha de sete anos. Tem um interesse especial por fornos solares que serão utilizados se o tempo o permitir.

O Festival de contos, organizado pela associação cultural ARCA, de Faro também encontra aqui uma casa, em Abril. No mês seguinte, acontece de novo a «Framboesa, feira de encontros e ideias”. “A ideia é que as pessoas possam cá vir espontaneamente trocar objectos como livros, roupas, brinquedos e tudo o que queiram. É uma forma de levar para casa uma coisa nova, sem o habitual consumismo”, explica.

Talvez o projecto mais ambicioso da ecoteca e que agora está a ser lançado é a campanha «Limpar o mar», também marcada para Maio. “Vamos envolver os pescadores, e durante o período em que a iniciativa durar, serão convidados a trazer o lixo que apanham nas redes. Sobretudo os arrastões”, diz Fátima Monteiro. Finalmente, em Junho, vai haver a quarta edição do concurso «Sabor Solar» - um evento gastronómico e de convívio para os adeptos dos fornos solares mostrarem as suas técnicas e receitas.

Refira-se que a ecoteca resulta de um protocolo entre três entidades – o ICNB (proprietário do edifício), a autarquia de Olhão (que cede duas funcionárias e apoio) e a Agência Portuguesa do Ambiente (que requisita a professora responsável).

Para lá chegar, siga pela EN 125 (sentido para Tavira) e vire em direcção ao Parque de Campismo de Olhão/ Marim. Siga em frente e vire à esquerda no caminho paralelo à linha do caminho-de-ferro, imediatamente antes da passagem de nível.

A ecoteca funciona de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30. Para mais informações, contacte o telefone 289 700 940 ou o endereço de e-mail:ecotecadeolhao@gmail.com

ecotecadeolhao.blogspot.com/

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