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ALGAR inaugura
Reciclagem automática

É o último grito da tecnologia austríaca. A nova unidade de triagem de resíduos de embalagens da ALGAR, já começou a laborar nas instalações da empresa junto ao Estádio Algarve, Loulé. Vai encarregar-se de separar tudo o que é depositado nos ecopontos do sotavento algarvio.
O equipamento representa um investimento 1,6 milhões euros, embora no total serão gastos de 3,2 milhões, uma vez que empresa está a instalar outra unidade idêntica no aterro sanitário de Porto de Lagos, Portimão.
Segundo Hélio Barros, administrador da ALGAR, estas duas unidades vão dar resposta ao aumento de cerca de 11,9 por cento verificado em 2009 na recolha selectiva de plásticos e metais no Algarve. E também ajudarão a ultrapassar o pico do Verão, período em os que 4405 ecopontos espalhados pela região acolhem até 40 por cento mais resíduos que no resto do ano.
O que torna este equipamento especial é a sua inteligência artificial, economia de espaço e autonomia. Em pleno funcionamento, é alimentado por um tapete rolante que transporta uma mistura a granel de latas de refrigerantes, embalagens de leite, e todo o tipo de garrafas de plástico.
Depois, “a máquina reconhece os diferentes tipos de resíduos através de um sensor óptico de infravermelhos”, explica Miguel Nunes, director de actividades complementares da ALGAR.
E através de 60 pequenos jactos de ar comprimido, cada material é então empurrado para o respectivo contentor.
Em 2000, a ALGAR tinha colocado em funcionamento uma linha manual de separação de plásticos e metais que na altura custou 900 mil euros. Em plena labuta, precisava de 3 turnos de 20 colaboradores para separar em média, 0,45 toneladas de embalagens por hora. A nova unidade apenas precisa de 10 operadores para separar uma quantidade 5,5 superior num único turno. Comparativamente, o consumo energético é 48 por cento menor.
Contudo, apesar de ultra-moderna, a máquina não faz milagres e ainda há necessidade de trabalho braçal. Os materiais “leves”, como os sacos de plásticos seguem para outro lado, para serem separados à mão.
Muitos ainda não têm a possibilidade de serem reciclados, e o seu destino final é o aterro sanitário.
De acordo com Miguel Nunes, no futuro estes materiais “rejeitados” poderão ser utilizados para produzir um combustível sólido, útil por exemplo, na indústria.
É uma das medidas previstas pelo Plano Estratégico para os Residuos Sólidos Urbanos (PERSU II), que define a estratégia de Portugal para o “lixo”, no período entre 2007 e 2016.
Apesar de necessitar de menos mão-de-obra, segundo Hélio Barros, nenhum dos 240 colaboradores directos da empresa tem o emprego em risco. Na conferência de imprensa que antecedeu a apresentação da unidade, o administrador delegado referiu a necessidade de mais colaboradores num futuro próximo.
“Vamos criar mais emprego através das novas actividades, como a trituração de resíduos da construção civil, uma nova unidade de óleos usados, uma central de valorização orgânica e uma unidade de desmantelamento de resíduos eléctricos e electrónicos”, afirmou.
De Janeiro a Outubro de 2009, a ALGAR triou e valorizou cerca de 32 300 toneladas de resíduos recicláveis.
Depois de devidamente separados, são entregues à Sociedade Ponto Verde, a entidade sem fins lucrativos responsável em Portugal por dar um destino útil a estes materiais.
Questionado acerca da polémica em Setembro passado, em que a Sociedade Ponto Verde ameaçou reciclar menos plásticos para evitar falência, com todas as consequências negativas que isso traria ao cidadão, Hélio Barros garante que “as pessoas podem ficar tranquilas”. “Neste momento já temos em cima da mesa, uma proposta contratual” para resolver essa questão.
Entre os vários projectos que a empresa tem em curso, destaca-se nova unidade para o tratamento de resíduos orgânicos em São Brás de Alportel, um investimento de 7 milhões de euros.
Com inauguração prevista para o final de 2010, destina-se a tratar, entre outros, os restos alimentares da hotelaria e restauração.
Como resultado, obter-se-á um produto fertilizante utilizável na agricultura. Recorde-se que desde 2003, a empresa já produz um composto 100 por cento natural, a partir da decomposição dos resíduos verdes (sobras resultantes da manutenção de jardins e espaços verdes). Chama-se «Nutrivede» e é produzido nas unidades de compostagem da ALGAR de Portimão e Tavira. Tem sido usado com sucesso em campos de golfe, indústria florestal e jardinagem.
Na cerimónia de inauguração, o presidente da Empresa Geral do Fomento (EGF) (que detém 56 por cento da ALGAR), Emídio Xavier, realçou o “excelente trabalho nos últimos dez anos na região”. Salientou que desde 1999, a ALGAR “erradicou 22 lixeiras que ocupavam cerca de 500 mil m² no Algarve”. Refira-se que os 16 municípios do Algarve detêm os restantes 44 por cento da ALGAR.
O responsável adiantou ainda que só nos últimos anos, a empresa investiu perto de 100 milhões de euros na melhoria do ambiente no Algarve.








