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InícioArtigosTema da SemanaA fisioterapia dos animais

Irmela Kuhn

A fisioterapia dos animais

Irmela Kuhn, 36 anos, é a única terapeuta de animais com licença a trabalhar a sul do País. É uma jovem assistente de veterinária que quis realizar um sonho antigo. Está a marcar a diferença nas vidas de animais de todas as espécies no barlavento algarvio. No resto da Europa este tipo de tratamento está há muito em franca expansão. E aqui, ainda está na sua fase inicial. Os poucos sortudos que até agora já beneficiaram desta terapia abanam as suas caudas em sinal de satisfação, e já andam por aí felizes da vida. Conheça aqui e agora esta pequena clínica no Barão de São João, em Lagos, que realmente faz milagres com os animais...
Natasha Donn, Edição 602 (19 Nov 2009), Sem Comentários »

Os mais velhos estão mais vivos do que parece!

Os seus clientes principais são os animais de idade mais avançada, embora o valor da terapia seja incalculável também para bichos de estimação de todas as idades que sofreram algum trauma ou acidente, e que estejam a necessitar de pequenos exercícios físicos para recuperar. Numa das nossas visitas, logo de manhã, encontrámos a estrela número um da clínica, o Lennox (abreviado “Lenny) – um Boxer de 10 anos com lesões em dois joelhos e na coluna, e com uma artrite hereditária. “Para sermos honestos, chegámos a pensar que o Lenny fosse “bater as botas” antes de termos conhecido a Irmela, contam-nos Tony e Val, os donos do cão. “Ele estava cheio de dores e mal se conseguia mexer. Chegámos a pensar que era a última vez que o levávamos ao veterinário – e foi então que nos falaram da Irmela”.

Irmela trabalha a partir de uma pequena casa de madeira, convertida numa clínica de fisioterapia para animais. Entre o equipamento clínico que tem disponível existe uma cama simpática, espaçosa e confortável, uma luz de infravermelhos, uma máquina de estimulação eléctrica transcutânea (TENS), lasers (para tratar as lesões), um aparelho eléctrico de tratamento de tendões, almofadas com aquecimento, rolos de toalhas, um relvado agradável lá fora (excelente para pequenos exercícios), um espaço com areia (uma vez mais, para que os cães que têm problemas de movimentação dos membros possam exercitar as suas patas) e uma piscina de hidroterapia com suporte próprio. As paredes estão decoradas com diagramas exemplificativos da musculatura canina e equina, e aqui e acolá há pequenos modelos maleáveis de cavalos e cães.

“Sempre gostei de animais”, confessa Irmela, fazendo uma sinopse da sua carreira. “E a minha ambição era ser assistente de veterinária. E cheguei então a esta fase da vida em que quis fazer algo completamente diferente. Algo com maior substância. Ouvi falar da fisioterapia para os animais e descobri que podia fazer um curso à distância, com estágio prático intensivo na Alemanha durante as minhas férias. Pareceu-me perfeito e era algo que ainda não estava disponível aqui.

“Conclui a formação em Junho e desde então tenho vindo sempre a praticar. Claro que começar leva sempre algum tempo – mas já estou a dar-me a conhecer aos veterinários locais, e espero que eles queiram colaborar comigo. Há quem veja esta terapia como uma forma de competição, mas a verdade é que não o é. É um tipo de cuidados médicos que os veterinários simplesmente não têm tempo suficiente para prestar, e é também uma forma de dar de novo aos animais a qualidade de vida que sempre lhes faltou – naturalmente!”

Esta parte “natural” foi um factor decisivo no caso de Tony e Val. Na última vez que o Lenny esteve no veterinário, voltou a coxear para casa e tinha que tomar 4 euros de medicamentos por dia.

“Nós realmente não tínhamos condições financeiras para os custos da medicação, mas sem ela o Lenny teria voltado à estaca zero”, explica Val.

Após a primeira consulta com Irmela, por recomendação do veterinário, o seu estado de saúde teve melhorias quase da noite para o dia.

“Na primeira vez que eu a consultei, comecei por estimular-lhe a coluna com as almofadas com aquecimento, com o aparelho de estimulação eléctrica transcutânea e as massagens. Os tecidos em redor dos ombros estavam presos, e a pouco e pouco fui-lhe aliviando as camadas fasciais para ajudá-la a movimentar-se”, explica Irmela.

Após o tratamento de uma hora de duração, o Lenny foi para casa – e “dormiu durante dois dias” (efeitos secundários normais deste tipo de fisioterapia).

Dois tratamentos depois, estava “a correr como um cachorrinho”.

“Foi um milagre. Ele nunca mais voltou a ser o mesmo!”, confessa Tony, sorrindo.

Dados os progressos, os tratamentos que inicialmente se repetiam duas vezes por semana, passaram a ser semanais – e o Lenny deixou de ter que tomar mais comprimidos!

“Hoje, mal pode esperar por entrar no carro… está sempre a pensar em ir para a clínica, brinca Val.

Outro dos pacientes, o Chouriço sofria de problemas semelhantes relacionados com a idade avançada. Sempre com o aspecto de um “jovem”, o seu estado de saúde era inconstante, podia estar um minuto perfeitamente bem, mas logo a seguir estava a cair, deixando a dona, Andrea em agonia, pois quando chegava com ele ao veterinário, a crise já tinha “passado” e não havia nenhuma solução à vista.

“Eu não posso é fazer promessas”, explica Irmela. “Cada animal é um caso, e existem muitos problemas diferentes. Por exemplo, esta tarde, vou receber uma cachorrinha com uma das patas da frente feridas. Foi encontrada assim na rua. Não sabemos o que lhe aconteceu. E não sei se terei como ajudá-la. Vou submetê-la a três sessões de tratamento e depois teremos de reavaliá-la”.

A Cindy é uma cadela encantadora que saltita como um canguru. A sua pata aleijada e aparentemente desprovida de sensações, está há demasiado tempo imóvel e ela tem vindo a desenvolver lesões por ter que arrastar a pata pelo chão. Irmela está a fazer-lhe uma terapia aos tendões através da estimulação eléctrica, para tentar evitar a atrofia dos músculos. Ao mesmo tempo que lhe são dados os impulsos eléctricos, os músculos respondem, mas o prognóstico ainda não é bom.

“Se ao menos soubéssemos a extensão dos ferimentos a nível interno”, suspira Irmela – mas isso iria requerer uma ressonância magnética, o que seria demasiado dispendioso para as pessoas que a resgataram da rua.

Dias mais tarde, ficamos a saber que os músculos da Cindy, após uma sessão de hidroterapia na piscina estão a dar sinais de melhora.

Durante a formação, Irmela aprendeu também a ajudar os cavalos. “É muito cansativo! Cada tratamento dura uma média de duas horas e envolve muito esforço físico e desgaste energético. Mas é extraordinário poder ver as reacções. Os animais adoram tudo isto e têm muitos benefícios a adquirir”.

No futuro, Irmela espera continuar a acrescentar experiências ao seu currículo e tirar mais cursos nos próximos anos para aperfeiçoar os seus conhecimentos.

“Esta é uma área abrangente que pode realmente ajudar os animais, bem como os seus donos, e melhorar significativamente a sua qualidade de vida.”

Para mais informações, contacte a Irmela directamente através do sítio da Web www.animalphysio.eu; Tel: 965211996, ou e-mail: Email

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