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Adrian Olteanu

Sonhos de leste

A comunidade artística do Algarve é rica e diversificada, mas contam-se pelos dedos os artistas do leste europeu. O romeno Adrian Olteanu, 42 anos, vive há 10 meses no concelho de Loulé. «Conexões» é o título da sua primeira exposição em Portugal. Está patente até 8 de Novembro, na galeria de arte Praça do Mar, em Quarteira. O título remete para um sentimento de universalidade e também para o imaginário criativo de Olteanu – óleos, acrílicos e aguarelas inspiradas no lado místico do ser humano, no universo onírico dos sonhos, e até no erotismo e sensualidade.
Bruno Filipe Pires, Edição 598 (22 Out 2009), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires

É praticamente desconhecido em Portugal, mas traz na bagagem uma longa carreira nas artes plásticas e visuais. À nossa entrevista, Adrian Olteanu mostrou-se introspectivo e até um pouco reservado. Talvez porque também estudou música (toca violino e piano), gosta mais de escutar que falar de si próprio.

Desde que acabou os seus estudos, Olteanu especializou-se na pintura em vidro, segundo os estilos e técnicas de mestres como Daume Nancy, Muller, ou o francês Emille Galle (1846-1904) – talvez os mais importantes nomes da art nouveau, e cujos objectos em vidro ainda hoje são apreciados devido à sua beleza e originalidade.

Nos últimos anos, Olteanu tem passado temporadas em países como a Grécia, Itália e Dinamarca, que deixou recentemente. Em todos eles, viveu exclusivamente das suas aptidões. Na Dinamarca, tinha muitas encomendas sobretudo de reproduções de obras. Para além disso, tem feito um percurso a trabalhar em restauro de ícones religiosos, peças de mobiliário antigo e até igrejas.

Para o Algarve, diz ter vindo atraído pela luz (só pinta durante o dia), o clima e as paisagens. Aqui, espera ter mais tempo para se dedicar aos originais, à cerâmica, à joalharia original e até a uma área que ainda está pouco explorada em termos profissionais – o body painting. Neste campo, já fez de tudo um pouco. Desde pinturas para programas de televisão infantis, a maquilhagens para teatro, publicidade, videoclips de artistas musicais, entre outros.

Na exposição «Conexões», apresenta trabalhos muito diferentes. Por um lado, tem uma faceta quase auto-biográfica, pois os temas inspiram-se nos vários locais por onde Olteanu passou. Por outro, este artista é claramente influenciado por um certo lirismo fantástico e uma mística espiritual. É assim que surgem sereias, auroras boreais, e asas de anjos.

Quando lhe perguntamos se o facto de ser Romeno é um factor que influência a sua arte, Olteanu responde com certeza. A prova está em duas telas presentes na exposição. O pormenor de «Opinci», o calçado tradicional romeno. E a cor de «Tulnic», um trabalho que retrata um instrumento musical daquele país, que é também uma forma de comunicação nos montes Apuseni.

A encerrar a mostra, está também, o que poderá ser o início da próxima, que deverá acontecer, se tudo correr bem, em Vila Real de Santo António. Trata-se de um quadro com dois cavalos – inspirado na tradição Feng Shui – que será o tema da exposição seguinte. Nesta tradição milenar, o cavalo está ligado à energia Yiang (o princípio masculino/ feminino) e representa também o símbolo da fama e do sucesso…

«Conexões» tem o apoio da «Doina – Associação de Imigrantes Romenos e Moldavos do Algarve», criada em 5 de Janeiro de 2007 em Almancil.

Horário até dia 28 de Outubro:

Sexta a Segunda-feira 9h30 -12h30; 14h00-18h00

Após 28 de Outubro:

De Segunda a Quinta-feira 9h30 - 18h00

De Sexta a Domingo 9h30 -12h30; 14h00-18h00

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