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Bonus Frater
O renascer da marioneta

O local onde mora a fantasia chama-se «Casa da Marioneta». Abriu em Janeiro passado e fica no jardim próximo do complexo desportivo de Vila Real de Santo António (perto do Farol). Surge de um projecto de Hélio Rodrigues, professor de português reformado e desde sempre homem multifacetado ligado à cultura e às letras. O objectivo principal deste grupo é fazer peças didácticas para a população escolar - desde os infantários até ao ensino secundário. E assim, tornar mais fácil a aprendizagem e a compreensão da história e da literatura portuguesa, de autores como Gil Vicente e Camões.
“Verifiquei que não existia praticamente nada deste género no sul do país e, depois de assistir ao Festival Internacional de Marionetas de Alcobaça, decidi criar esta actividade pedagógica que serve de complemento às próprias aulas”, conta-nos Hélio Rodrigues.
Por incrível que pareça, a maior parte dos bonecos que utilizam é importada do Brasil. O grupo recorre às mãos de uma construtora sedeada em São Paulo, que constrói as marionetas e também todos os figurinos.
Por detrás de cada marioneta há trabalho de pesquisa, sobre por exemplo, os trajes típicos de uma determinada época, contexto histórico ou regional. Pormenores como lenços, brincos, colares e espadas ajudam a tornar a marioneta ainda mais cativante e real.
Os bastidores do pequeno teatro parecem um sonho infantil tornado realidade. São mais de 300 marionetas de todos os tamanhos e feitios que parecem prontas a viver qualquer conto de fadas, história tradicional ou lenda perdida no tempo. Um Rei, um cruzado, um gigante Adamastor, uma princesa mourisca, até um pequeno Vasco da Gama vestido a rigor esperam que uma mão hábil lhes dê vida.
Para os mais pequenos, o grupo «Bonus Frater» abre-lhes um mundo de fantasia. Quando visitam a «Casa da Marioneta», as crianças podem ver e ouvir peças lúdicas, inspiradas nas histórias da tradição oral algarvia e portuguesa. Curtas fábulas que têm sempre uma mensagem de fundo. É o caso de «O Moço, o velho e o burro», que fala sobre a maledicência do povo.
Rodrigues, que assume a orientação técnica, artística e literária do grupo, também tem um pequeno atelier em casa, onde pesquisa as técnicas e os materiais para construir marionetas articuladas, e sua manipulação.
Hoje, os espectáculos que apresentam contam com a ajuda das novas tecnologias. As vozes das personagens são gravadas previamente. Há luzes, música, vídeos e ilustrações que dão um ritmo e uma dinâmica que prendem a atenção dos (pequenos) espectadores até ao fim.
No futuro, Hélio Rodrigues gostaria de ter uma sala mais polivalente, para filmes, para teatro e para as marionetas. Em Novembro vão apresentar «A lenda das Amendoeiras». Em Dezembro, vão ter uma grande produção de Natal, a apresentar no Centro Cultural António Aleixo, inspirada na companhia de teatro infantil «La Colmenita» de Cuba.
Um aspecto curioso, é que o principal público-alvo abrange dois extremos etários – os idosos e as crianças. “Os idosos recordam-se que há cerca de 50 anos atrás, existiam nas feiras, os chamados teatros de robertos. Ou seja, muitos ainda estão familiarizados com este tipo de espectáculo que entretanto se extingiu”, diz. “Por outro lado, o público juvenil está a ser iniciado”, para que esta arte não desapareça de novo, e continue a fazer crescer sorrisos por muitas gerações...








