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Galeria Studio GT
Sofia Cravo, Arte em todos os sentidos

Normalmente, nas exposições não se pode mexer em nada. Bem, esta é a primeira de muitas barreiras a cair na obra desta jovem artista. “Os meus quadros são muito tácteis. Gosto que as pessoas lhes mexam”, diz-nos com naturalidade.
Isso explica-se porque nas suas telas, é comum sobrepor várias camadas de diferentes materiais “não artísticos”. Pó de pedra e de barro, terra, penas de aves, rendas e outros materiais orgânicos - que contrastam com a tinta acrílica e o óleo. A natureza é um elemento essencial na obra de Sofia Cravo, que chegou a utilizar um ninho de pássaro numa escultura.
“Sou um pouco compulsiva a trabalhar. Sinto uma necessidade constante de criar, de fazer. Às vezes é um processo espontâneo, mas passo muito tempo à procura de materiais”, conta.
Visitou fábricas de areia (destinadas a fazer cimento) do norte de Portugal à procura dos melhores. Andou por Aljezur à procura de xistos. Trouxe terra da Grécia. Tudo elementos que usa para dar tridimensionalidade e significados diferentes aos seus trabalhos.
Louise Bourgeois (artista e escultora fortemente influenciada pelo surrealismo, cujos trabalhos tendem a ser abstractos e altamente simbólicos) é uma das suas artistas favoritas. Também é influenciada por Alberto Burri, Antoni Tàpies, Anselm Kiefer, Jean Dubuffet e Lucio Muñoz. É fácil perceber porquê. Quase tudo o que faz tem um cariz experimental.
Nos quadros também é frequente escrever à mão (caligrafia) e misturar colagens de recortes de publicidades de modo a tornar tudo ainda mais abstracto.
Para além do experimentalismo, outro aspecto muito próprio do trabalho desta artista são as temáticas que escolhe. É influenciada pela História da humanidade.
Por exemplo, o culto da fertilidade e a arte Pré-histórica associada à mulher é muito explorada por Sofia Cravo. Para além de remeter para o passado, sugere a sua própria condição feminina.
As histórias bíblicas, mitologias e cultos de civilizações antigas também são uma fonte de pesquisa para o seu imaginário. Uma estrela judaica de David, ou um crucifixo cristão são mostrados sem complexos. “Não é só pelo efeito estético, mas também pelo simbolismo que possa dar a uma obra”, diz. “A verdade é que procuro sempre fazer trabalhos fortes e expressivos”, acrescenta.
Resta dizer que a cultura popular portuguesa, certos aspectos do folclore minhoto, com os seus trajes coloridos e as jóias antigas, também encontram lugar no imaginário pessoal desta artista em ascensão. “Em certa medida, gosto de ver a minha pintura como se fosse fado, pois tem muitas vezes uma carga forte, trágica e até nostálgica”, diz.
Onde quer chegar? “O meu objectivo é ser pintora. Nem peço para ser famosa. O mais importante é fazer o que gosto, ser honesta comigo própria e com os outros”, conclui.
Sofia Cravo vai partilhar a galeria «Studio GT» com Gareth Thomas, Avi Cohen, Mikki F e Mariola Landowska. Fica na Rua do Vale Formoso, na estrada entre Almancil e Loulé. Depois, a mostra pode ser visitada de Terça-feira a Sábado, das 10h00 às 16h00.







