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Galeria Studio GT

Sofia Cravo, Arte em todos os sentidos

Gosta de misturar pintura com escultura e desenho, de modo a quebrar barreiras. Chama-se Sofia Cravo, 26 anos, é uma artista plástica decidida a trilhar novos caminhos. Não tem medo de ferir susceptibilidades quando usa símbolos religiosos, contornos eróticos ou temas polémicos. Formada pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, tem revelado um trabalho consistente e de forte cunho pessoal. Acaba de regressar de Inglaterra, onde frequentou um mestrado em Fine Art na Universidade de Birmingham e conta já com vários prémios e menções honrosas. Pela primeira vez no Algarve, é a artista em destaque na colectiva de pintura que inaugura Sábado, dia 26, entre as 18h30 e as 20h30 na Galeria «Studio GT», em Almancil.
Bruno Filipe Pires, Edição 594 (24 Set 2009), Sem Comentários »
Bruno Filipe Pires
Sofia Cravo

Normalmente, nas exposições não se pode mexer em nada. Bem, esta é a primeira de muitas barreiras a cair na obra desta jovem artista. “Os meus quadros são muito tácteis. Gosto que as pessoas lhes mexam”, diz-nos com naturalidade.

Isso explica-se porque nas suas telas, é comum sobrepor várias camadas de diferentes materiais “não artísticos”. Pó de pedra e de barro, terra, penas de aves, rendas e outros materiais orgânicos - que contrastam com a tinta acrílica e o óleo. A natureza é um elemento essencial na obra de Sofia Cravo, que chegou a utilizar um ninho de pássaro numa escultura.

“Sou um pouco compulsiva a trabalhar. Sinto uma necessidade constante de criar, de fazer. Às vezes é um processo espontâneo, mas passo muito tempo à procura de materiais”, conta.

Visitou fábricas de areia (destinadas a fazer cimento) do norte de Portugal à procura dos melhores. Andou por Aljezur à procura de xistos. Trouxe terra da Grécia. Tudo elementos que usa para dar tridimensionalidade e significados diferentes aos seus trabalhos.

Louise Bourgeois (artista e escultora fortemente influenciada pelo surrealismo, cujos trabalhos tendem a ser abstractos e altamente simbólicos) é uma das suas artistas favoritas. Também é influenciada por Alberto Burri, Antoni Tàpies, Anselm Kiefer, Jean Dubuffet e Lucio Muñoz. É fácil perceber porquê. Quase tudo o que faz tem um cariz experimental.

Nos quadros também é frequente escrever à mão (caligrafia) e misturar colagens de recortes de publicidades de modo a tornar tudo ainda mais abstracto.

Para além do experimentalismo, outro aspecto muito próprio do trabalho desta artista são as temáticas que escolhe. É influenciada pela História da humanidade.

Por exemplo, o culto da fertilidade e a arte Pré-histórica associada à mulher é muito explorada por Sofia Cravo. Para além de remeter para o passado, sugere a sua própria condição feminina.

As histórias bíblicas, mitologias e cultos de civilizações antigas também são uma fonte de pesquisa para o seu imaginário. Uma estrela judaica de David, ou um crucifixo cristão são mostrados sem complexos. “Não é só pelo efeito estético, mas também pelo simbolismo que possa dar a uma obra”, diz. “A verdade é que procuro sempre fazer trabalhos fortes e expressivos”, acrescenta.

Resta dizer que a cultura popular portuguesa, certos aspectos do folclore minhoto, com os seus trajes coloridos e as jóias antigas, também encontram lugar no imaginário pessoal desta artista em ascensão. “Em certa medida, gosto de ver a minha pintura como se fosse fado, pois tem muitas vezes uma carga forte, trágica e até nostálgica”, diz.

Onde quer chegar? “O meu objectivo é ser pintora. Nem peço para ser famosa. O mais importante é fazer o que gosto, ser honesta comigo própria e com os outros”, conclui.

Sofia Cravo vai partilhar a galeria «Studio GT» com Gareth Thomas, Avi Cohen, Mikki F e Mariola Landowska. Fica na Rua do Vale Formoso, na estrada entre Almancil e Loulé. Depois, a mostra pode ser visitada de Terça-feira a Sábado, das 10h00 às 16h00.

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