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Curso Experimental de Arte Contemporânea

«Mobilehome» Arte feita aqui

Não é apenas mais uma exposição. É o resultado do projecto «Mobilehome – Curso Experimental de Arte Contemporânea» que envolveu 25 artistas sediados no Algarve, na maioria ligados às artes visuais. Também não é para ver numa galeria, mas sim num antigo lagar de azeite, no centro de Loulé, alunos e formadores trabalharam em conjunto ao longo das últimas cinco semanas. Fotografia, desenho, pintura, escultura, colagens, vídeo e instalação são algumas das propostas que poderá ver no Lagar das Portas do Céu, até 27 de Setembro.
Bruno Filipe Pires, Edição 588 (13 Ago 2009), Sem Comentários »

No início de Junho passado, a autarquia de Loulé divulgou a abertura das inscrições para um curso experimental de arte contemporânea. Os destinatários seriam artistas com formação e/ou actividade no campo das artes visuais. Aberto a apenas 25 candidatos, os participantes foram seleccionados qualitativamente a partir da análise da carta de motivação, do currículo e do portfolio com trabalhos recentes.

“São artistas de grande qualidade que durante cinco semanas tiveram oportunidade de confrontar as suas ideias com as de pessoas que são respeitadas no contexto internacional da arte contemporânea”, explica Nuno Faria, curador deste projecto e programador do futuro Museu de Arte Contemporânea de Faro.

O curso desenvolveu-se em três locais diferentes - Querença, onde decorreu a parte teórica (seminários), no Palácio da Fonte da Pipa (conferências/masterclasses) e no Lagar das Portas do Céu (parte prática), que abre agora as portas ao público para mostrar os resultados.

Há muito para ver. E é apenas uma parte do que foi feito. “Foi muito difícil seleccionar os trabalhos porque os participantes revelaram uma grande perspicácia, um grande refinamento conceptual, e portanto, o resultado foi muito denso”, considera Faria.

O antigo lagar, semi-arruinado e de paredes cruas (quase no domínio da arquelogia industrial), está em perfeita sintonia com o carácter experimental do curso. A cada canto há desenhos, fotografias, pinturas. Vários trabalhos artísticos são exibidos nas mesmas mesas onde os artistas trabalharam, iluminados de forma simples, através de candeeiros de secretária.

“Este é um espaço que eu conheço bem. Descobri-o o ano passado, quando estava a trabalhar na organização do programa «Allgarve». Aqui decorreu a exposição «Reacções em Cadeia» pensada pelo arquitecto Luís Tavares Pereira. É um espaço que tem memória da arquitectura local e um passado muito forte nas pessoas da terra”, conta Nuno Faria.

As tulhas servem como “mini-museus”. “Foi uma ideia muito interessante do artista cubano Diango Hernandez” (um dos formadores que veio de Dusseldorf), revela Meinke Flesseman.

Questionada acerca do que achou do curso, a pintora holandesa radicada em Lagoa diz que “para todos nós foi uma viagem incrível. Cada um sentiu-o à sua maneira, mas penso que vai sem dúvida influenciar tudo o que fizermos no futuro”.

“Aprendi a estar em grupo, que é uma coisa nova para mim. Nos meus dias, isso é algo complicadíssimo”, considerou Paulo Serra.

Este pintor de Faro refere-se ao isolamento próprio dos artistas, que acabam por ficar fechados nos seus próprios ateliers durante muitas horas. Por isso, uma das preocupações do curso foi promover a proximidade entre todos os envolvidos. Um exemplo de criação conjunta, é a pintura mural no interior do lagar. “Foi um desafio conceptual lançado por Jaroslaw Flicinski, artista polaco que veio ensinar a pintura mural contemporânea”, revela Flesseman.

A crítica mais frequente ao programa «Allgarve» é o facto da maioria das exposições vir encaixotada para a região, e no final do Verão, regressar de novo às origens.

De acordo com Nuno Faria, esta iniciativa poderá contribuir para que futuramente, os artistas da região, possam ter um papel mais participativo e interventivo no programa.

“Uma coisa que rareia aqui no Algarve são as instâncias críticas, de debate. Falta o confronto de ideias de agentes que tenham coisas a dizer, apoiadas num trabalho sólido. Portanto, não tenho dúvidas nenhumas que o que sai daqui é uma força colectiva, um grupo de pessoas dispostas a fazer coisas pela comunidade e a desenvolver o seu trabalho de uma forma ainda mais consistente”, conclui o curador.

O Lagar das Portas do Céu (Rua Eça de Queiroz, Loulé) está aberto ao público de terça-feira a domingo, das 17h00 às 23h00, e ao sábado, das 10h00 às 13h00 e das 17h00 às 23h00.

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