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Ultimate Frisbee de Praia

Discos voadores em Portimão!

Chama-se Ultimate Frisbee de Praia e é uma mistura de futebol, basquetebol, futebol americano e voleibol de praia. Põe em confronto duas equipas mistas, com cinco elementos de ambos os sexos. O “golo” acontece cada vez que um jogador(a) apanha o disco voador (Frisbee) na chamada zona de marcação - nas extremidades do campo (de 75 por 25 metros). Este desporto ainda não é muito conhecido entre nós, mas segundo nos conta Pedro Miguel Vargas, 29 anos, Portimão está na vanguarda desta modalidade. A equipa da cidade algarvia tem alguns dos mais experientes jogadores do país e é a base da selecção nacional…
Bruno Filipe Pires, Edição 736 ( 5 Jul 2012), Sem Comentários »

“Não creio que de uma forma geral a sociedade portuguesa esteja preparada para aceitar esta modalidade. Isto porque sempre que falamos em Frisbee, é frequente ser associado ao desporto do cão. O que nós jogamos não tem nada a ver com cães. Por outro lado, as pessoas não estão habituadas a ver jogos com equipas mistas. Pessoalmente, creio que isso é uma vantagem. Depois, o próprio ambiente que se desenvolve à volta da modalidade é totalmente diferente dos outros desportos”.

“O facto de ser jogado na praia cria logo um ambiente descontraído. E o facto de não haver árbitros implica que as pessoas têm de ter uma atitude perante a competição um pouco diferente. Têm de ser mais honestas, mais verdadeiras consigo próprias e com os outros.”

Quem fala assim é Pedro Miguel Vargas. Descobriu o Ulimate Frisbee em 2003, quando estava a tirar o curso de educação física em Lisboa. Certo dia, ao folhear uma revista, pensou que seria algo interessante para os seus futuros alunos. Arranjou o contacto de um grupo (na altura o único que havia) e começou a ir aos treinos. Mais tarde, quando regressou ao Algarve, criou uma equipa em Portimão, que “tem tido altos e baixos” no seu percurso.

Em Portugal, o Ultimate terá chegado em meados dos anos 1990. Na sua versão original é jogada por equipas de sete num campo relvado de 100 metros por 36, basicamente, metade de um campo de futebol. Mas no nosso país, desde o início, acabou por vingar a modalidade de praia. Basicamente é jogado num campo mais pequeno, 75 por 25 e com equipas de 5 jogadores.

Isto explica-se porque a maioria dos relvados que há no país pertencem a clubes de futebol ou a autarquias e o acesso é demasiado burocrático para um desporto ainda praticamente desconhecido e sem estruturas legalmente formalizadas.

Um exemplo? A Praia da Rocha tem uma zona desportiva que pode ser iluminada à noite. Livre de banhistas (e do calor) seria perfeita para os treinos. Contudo, “temos um handicap muito grande, pois não estamos registados enquanto clube. Em termos legais não temos uma identidade. Tudo o que for pedidos oficiais morre logo por aí”.

“Fizemos esse pedido à autarquia de Portimão há cerca de quatro anos. Foi-nos dito que teriam de usar um recurso humano para lá ir ligar e desligar as luzes” e portanto, o pedido da Beach Ultimate Frisbee Algarve (BUFA) foi indeferido.

Actualmente, segundo Vargas, está a ser criado um clube de praticantes para lidar com as autoridades oficiais. O nome Beach Ultimate Frisbee Algarve (BUFA) é que mudará para algo mais “credível”...

Pedro Vargas, antigo praticante de andebol e hoje treinador de natação na Portinado, é também vice-presidente da “Federação Portuguesa Ultimate e Desportos de Disco, APD.”

Esta estrutura já é uma associação promotora de desporto, mas ainda não é oficialmente reconhecida pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP) devido a um pormenor legal na denominação.

Para já, no Algarve, o Ultimate de praia só existe em Portimão. “Há uma ou duas pessoas em Lagos que se interessam. Já tive contactos de pessoas na zona de Faro que gostavam de começar qualquer coisa, mas de resto, não existe mais nada.”

“Somos à volta de 12. Metade de nós são dos jogadores mais experientes em Portugal, e somos parte da base da selecção nacional. A outra metade é pessoal que começou a jogar agora”, diz.

Vargas salienta que no país “existe uma grande discrepância entre o número de homens e mulheres”. É de lamentar porque é um dos poucos desportos cujas competições europeias e mundiais estão abertas a equipas mistas.

Aliás, um dos projectos futuros da associação é conquistar mais mulheres para o Ultimate de praia. E formar uma selecção mais competitiva, para o próximo europeu em Espanha, em 2013.

Na última participação no campeonato do mundo, Portugal participou na divisão mista e ficou em quarto lugar entre uma vintena de equipas, em Agosto de 2011. Já havia também ficado em quarto no Europeu de 2008, na mesma divisão.

Segundo Vargas, a curva de aprendizagem é acessível a qualquer interessado. “A parte mais difícil é aprender a lançar a bola de uma forma mediana, e de saber adaptar o lançamento ao vento”. Basicamente, a aerodinâmica do disco de 175 gramas é mais complexa para o praticante do que no caso dos desportos com bola.

Por outro lado, “é um desporto muito barato. Um disco oficial custa cerca de 10 euros e é muito resistente”, diz aos candidatos a principiantes.

Em Portugal, há cerca de 100 praticantes registados, mais 20 ou 30 a jogar esporadicamente. O mais novo a participar em competições é uma jovem portimonense de 16 anos, e o mais velho terá cerca de 50 anos. “Acreditamos que a tendência é para crescer”, conclui.

Uma última pergunta: como é que se marcam pontos? “Tal como acontece nos campos de futebol americano, ou de râguebi, em cada uma das extremidades existe uma zona de ensaios (end zone). O objectivo é, entre os jogadores de uma equipa, conseguir que um deles receba o disco nessa área. Pode parecer fácil, mas quem tiver o disco na mão, não pode correr com ele. Apenas o pode passar. Pode-se virar, pode estabelecer um pé-pivot, como acontece no basquete, mas não pode correr. Os outros jogadores é que vão ter que correr para criar uma linha de passe e tentar interceptar o disco. Em princípio, de uma forma muito simples, é assim que se desenrola o jogo”...

Desportos de disco: um universo por explorar

Nos Estados Unidos, de acordo com o fabricante de discos «Discraft» (considerado o standard) há 4,9 milhões de jogadores de Ultimate. Mas esta não é a única coisa que se pode jogar com discos (há diferentes tipos para cada modalidade). Uma vertente popular no outro lado do Atlântico e que poderia facilmente crescer no Algarve é o “Disc Golf” que até tem um circuito profissional na Europa e nos Estados Unidos. O objectivo é encestar o disco no alvo (em forma de cesto) tal como no golfe tradicional se enfia a bola no buraco. Segundo Vargas, existe já um circuito em Palmela, dentro do Castelo. É o único sítio onde se pode praticar, graças aos esforços da equipa local em parceria com a autarquia. Uma vez por ano, acontece em Portugal o chamado campeonato nacional de “field events”. Jogam-se modalidades como o “Accuracy”, “Throw, Run and catch”, “Distance” e “Maximum time aloft”… Interessado?

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