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Edição 730
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Primeira longa-metragem algarvia em Inglês

The Right Juice/ O Sumo Certo

O realizador Kristjan Knigge é muito directo: está à procura de financiamento. E isto numa altura em que “é difícil arranjar fundos sequer para um clip”, admite. Ainda assim, está disposto a fazer tudo para angariar algumas centenas de milhares de euros necessários para produzir uma longa-metragem. Missão impossível? Talvez, mas este cineasta de 38 anos está convencido que um filme sobre “o outro Algarve” – o interior, longe da costa – irá atrair turistas. E mais importante ainda, irá ajudar o arranque de uma verdadeira comunidade cinematográfica na região. Tivemos oportunidade de conhecer Kristjan Knigge e a sua equipa no Museu de Portimão, no passado mês de Dezembro, onde apresentou publicamente o primeiro filme em língua inglesa a ser inteira e exclusivamente filmado no Algarve.
Natasha Donn, Edição 710 ( 5 Jan 2012), Sem Comentários »

A história é aparentemente tão azarada como a ideia de angariar dinheiro numa recessão global sem precedentes – Oliver Fellows, um gestor de investimentos fracassado compra uma quinta no Algarve, com o objectivo de cultivar um pomar de laranjas. A ideia tem tudo para falhar.

Além disso, o seu casamento está por um fio, e há um vizinho que rouba a água de rega a toda gente ao redor. Portanto, o ex-bancário resolve cavar um poço… e encontra petróleo!

É uma comédia com várias reviravoltas, que pretende mostrar como às vezes, quando tudo parece errado, no final, as coisas acabam por se resolver a bem.

E é também a oportunidade com que Kristjan Knigge sonha há bastante tempo.

“Cresci no Algarve, mas tenho estado fora nos últimos 20 anos. Parte do motivo pelo qual quero tanto fazer este filme é porque quero voltar a viver aqui. Fazer uma longa-metragem é apenas o princípio.

Hoje, existe uma comunidade cinematográfica a crescer no Algarve, e verdade seja dita, é um paraíso para cineastas. Honestamente, este filme é apenas parte de um plano maior para a criação de uma indústria cinematográfica local”.

Knigge segue uma linhagem familiar. A sua mãe, e produtora do filme, é BJ Boulter, uma veterana de inúmeras publicidades filmadas no Algarve e responsável por um dos anúncios campeão de longevidade na história da televisão holandesa (por coincidência, a uma marca de sumo de laranja).

Criado nos cenários de filmagem algarvios, Knigge começou cedo a apreciar as qualidades tipo camaleão das paisagens portuguesas.

“Num dos anúncios da BJ, para a marca desportiva Umbro, ela filmou sete países diferentes em apenas três dias: todos à distância de uma hora de carro à volta de Lisboa”, explica.

“O Alentejo pode fazer-se parecer como África. Lisboa como Paris. As aldeias do interior podem parecer-se com locais da Europa de Leste. Numa publicidade americana, a BJ retratou a Coca-cola em seis países, que incluíam a Índia e a Escócia, todos eles filmados num raio de 25 quilómetros à volta de onde estamos agora, em Portimão! É um país fantástico para o máximo impacto com o mínimo de custo - exactamente o lema do cinema actual!”

Nos dias em que Knigge começou na indústria cinematográfica, qualquer pessoa com ambições tinha que ir para Lisboa, ou então, deixar mesmo Portugal. O percurso da sua carreira levou-o até à Holanda onde tem trabalhado até agora – em curtas-metragens, anúncios, publicidades, filmes institucionais, vídeos musicais e documentários.

“Mas hoje, é tudo diferente”, diz. “Há alguns excelentes jovens realizadores a trabalharem aqui no Algarve, em Almancil e em Faro – e até há o caso de empresas lisboetas a contratarem uma firma do Algarve para fazerem um filme institucional. Isso teria sido impensável há poucos anos atrás! É porque as coisas mudaram tanto que eu sinto que está na altura de tentar regressar. Esta é a minha casa. Não consigo pensar em nada melhor que conseguir voltar e trabalhar aqui”.

Mas, como toda a gente está consciente, agora não é exactamente a melhor altura, ou é?

“Sim, o nosso prazo não é nada bom”, sorri. “Financeiramente, é uma era horrível para a humanidade. E aqui não há dinheiro. Não há incentivos fiscais para cineastas. É uma batalha – mas estamos confiantes que conseguiremos fazê-lo, se tivermos a ajuda da comunidade local”. De passagem pelo Algarve por apenas dois dias para promover «O Sumo Certo», Knigge e o seu co-produtor Chris Parker, planeiam mais visitas no final de Janeiro e em Fevereiro, para tentarem encontrar patrocinadores e angariarem fundos.

Uma iniciativa de «crowd-funding» (financiamento colectivo) já está em marcha – que vai permitir a qualquer pessoa interessada fazer um donativo – e o filme já conta com um número de voluntários que disponibilizam bens e/ ou serviços.

“Ainda precisamos de todo o tipo de coisas: um camião cheio de laranjas, bebidas para o elenco e para a equipa, combustível para os veículos, autocaravanas para serem utilizadas nos cenários… as pessoas podem visitar o nosso website e consultar todos estes detalhes”, acrescenta Knigge. “Não estamos realmente à espera de ter todo o dinheiro que precisamos para começar a filmar. O orçamento nem sequer está fechado ainda! É mais uma questão de adaptarmos os recursos disponíveis”.

Mas o plano geral é começar as primeiras filmagens no início de Abril e ter o filme pronto para comercializar no final de 2012.

“O nosso sonho é o Festival de Sundance em 2013”, explica o co-produtor Chris Parker. Recorde-se que este é o maior e mais prestigiado festival de cinema independente nos Estados Unidos da América, onde a ser reconhecido, «O Sumo Certo» ficaria pronto para a distribuição mundial, e com sorte, um prémio poderia ser o selo do sucesso. Mas o lucro/ dinheiro não é realmente tudo o que interessa. O filme é sobre a promoção do Algarve, e de atrair um novo tipo de turismo. “A indústria cinematográfica pode traduzir-se em grandes oportunidades de negócio”, explica Parker. “Basta ver o que o filme «Mamma Mia» fez pelas ilhas gregas. Ou o que «O sexo e a cidade» fez por Nova Iorque. Até fazem um ciclo temático! Bem, poderíamos fazer algo parecido aqui no Algarve com o nosso filme!” As possibilidades são, por assim dizer, infinitas.

É apenas uma questão de trabalho duro, planeamento cuidadoso, talento e boa sorte. Knigge e a sua equipa têm agendas calculadas para executar o máximo trabalho reduzindo as despesas ao mínimo. Por exemplo, as filmagens vão realizar-se em apenas 30 dias (em Hollywood, podem durar para além de 100 dias). Há apenas sete cenários principais, apenas duas cenas nocturnas, e a maioria das acrobacias têm de ser feitas ao vivo (para poupar dinheiro em efeitos especiais computadorizados dispendiosos).

“Podemos fazê-lo. Temos a capacidade, podemos fazê-lo acontecer – mas vamos precisar do apoio da comunidade local”, sublinham.

Para mais informações e para ver o teaser provisório, basta aceder ao website www.therightjuice.net e talvez descobrir como pode ajudar este projecto a nascer!

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