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Olga Porqueras
Conversas com animais

Num “dia normal”, quando Olga Porqueras ligar o computador, depois de tomar o seu pequeno-almoço, encontra mais de uma centena de mensagens de correio electrónico para ler.
As pessoas escrevem-lhe todo o tipo de pedidos de ajuda e de aconselhamento – animais com problemas de comportamento; animais que estão desaparecidos, animais que se recusam a comer. No fundo, animais que de uma forma ou de outra, estão a tentar dizer qualquer coisa aos donos… mas o quê?
O trabalho de Olga Porqueras é descobrir o que se passa– muitas das vezes, a quilómetros de distância.
“As pessoas em geral tendem a pensar que a telepatia é uma forma de comunicação que funciona um pouco como o Skype”, diz, referindo-se ao popular programa de teleconferências em tempo real através da Internet.
“Mas não é nada disso – é uma forma de comunicar numa linguagem universal, acessível a todas as espécies”, explica.
De facto, a palavra significa literalmente “sentir à distância”, do grego “tele” (distância) e “patheia” (sentir ou sentimento) – e não, como é vulgarmente aceite, um dom ou poder paranormal.
No dia em que a visitámos na sua casa rural na Figueira, uma das mensagens de e-mail que lhe chegou, veio de um casal em processo de separação. Precisavam de saber que animais queriam ir com qual dos cônjuges desavindos.
Mas como é que tal coisa é possível?
Bem, aparentemente, com a informação certa e perguntas objectivas, Olga Porqueras consegue chegar às decisões “bastante rápido”. Qualquer coisa que precise de mais esclarecimento, então sim, pode ser debatida via «Skype» (sim, o programa e não telepatia), e os honorários pagos pelo Paypal!
Bizarro? Cada vez mais gente acha que não. Só na América este tipo de trabalho é feito por centenas de profissionais, cada vez mais especializados. Existe até um directório, compilado por Penelope Smith, a decano norte-americana dos comunicadores animais, com mais de 150 espalhados pelos vários estados.
Comparativamente, os números são mais modestos na Europa – três em Inglaterra, quatro na Alemanha, um em Portugal e Espanha (a própria Olga), um na África do Sul, um na Austrália e outro na China. Perguntamos então como é que Olga Porqueras enveredou por este trabalho?
“Tenho trabalhado como terapeuta de seres humanos e naturopata há mais de 20 anos”, explica. “Mas adoro os animais e sempre me senti mais próxima deles do que das pessoas”, diz.
Há alguns anos atrás, uma depressão fez com que focasse mais a sua atenção em espécies com quatro pernas do que em bípedes. Passava horas sem fim com Tama, um pastor alemão, que foi a sua companhia no apartamento em Barcelona durante este período menos feliz.
Certo dia, o animal simplesmente abriu comunicação, pois estava farto de ser cúmplice do sofrimento da dona, e decidiu que também precisava de ajuda naquela situação.
“Ele veio e colocou-se à minha frente. Começou a dizer-me o que queria. Ao princípio, eu pensei mesmo que tinha ficado louca. Mas aos poucos, comecei a perceber que se trata de um dom que sempre tive.
Não era nada de extraordinário, mas sim, algo perfeitamente natural”, conta.
“O Tama realmente salvou-me de um buraco muito negro. Pouco depois, comecei a trabalhar com animais. Claro, continuei a tratar pessoas, e trabalhava gratuitamente com os animais dos meus amigos”, acrescenta.
Lentamente, os amigos encorajaram-na a dar workshops e formações sobre o tema. Fez isso. Mais tarde, criou um blog – uma espécie de diário aberto na internet.
“Penso que isso foi o ponto de viragem. Normalmente, não sou uma pessoa criativa, mas de repente senti-me a transbordar de ideias. Não dormia, não comia. Desenvolvi o blogsite e tudo começou a acontecer muito depressa”, diz.
Começou a dar formações em Madrid, Sevilha, Barcelona. “Finalmente, senti que tinha encontrado a direcção certa!”
Actualmente, tem mais de 6000 fãs e seguidores nas redes sociais, como o facebook.
Segundo nos explicou, a “coisa maravilhosa” de se trabalhar com animais é que eles respondem aos tratamentos “muito mais rápido” que os seres humanos, porque não estão vulneráveis à racionalidade.
E o mais interessante nos cursos é que tem visto como cada formando/aluno, “nas últimas horas da formação, já consegue comunicar com o seu animal”, garante.
“É fantástico. Ensinar as pessoas a lembrarem-se – e depois vê-las em comunicação directa com os seus amigos de estimação!”
Em Portugal, Olga já deu um curso em Montegordo, e está a preparar outro para Janeiro próximo.
Actualmente, podemos acompanhar o seu trabalho voluntário no Santuário dos Burros na Raposeira. Aí, Nana van der Velden, a responsável por esta instituição de protecção animal, tem dois burros com problemas invulgares. Um, mal consegue caminhar. O outro “sofre de depressão”.
“Viu a sua mãe ser morta à sua frente e ficou absolutamente desgostosa”, explica-nos Nana Van der Velden. “Eu nunca tinha visto um animal chorar. Mas esta pequena burra tinha literalmente água a escorrer-lhe pelos olhos – e podíamos sentir a tristeza que emanava”, conta.
“Ela disse-me que tudo o que conseguia ouvir na sua cabeça eram os gemidos da mãe a morrer”, explicou Olga Porqueras, depois da primeira sessão terapêutica com a pequena burra.
Uns dias depois de um misto de essências florais com comunicação de toque, o animal pareceu um pouco mais feliz.
“Ainda está triste, mas já não é uma depressão”, diz.
Já o burro com problemas nas patas é outra história. Devagar, com uma mistura de terapias e comunicação, a terapeuta espanhola está a trabalhar para melhorar a autoconfiança e a tónica muscular da criatura, enquanto o encoraja a voltar a andar.
No dia depois da primeira sessão, o burro caminhou estoicamente com dificuldade até à comida. Uma jornada nunca antes feita, pois tinha de ser alimentado na área que lhe está reservada. Um espaço com areia de praia que a Nana Van der Velden criou para aliviar as dores nas patas.
Agora repete a viagem diariamente. Devagar, mas muito longe da eutanásia recomendada recentemente por um veterinário de visita ao Santuário.
Claro, haverá sempre aqueles com “explicações racionais” para estas e outras histórias de sucesso – mas tal como Olga Porqueras explica, “a comunicação com animais tem repercussões positivas na nossa própria saúde, e na deles também. Também contribui para construir uma melhor harmonia entre espécies diferentes, que no fundo, são o que constitui o maravilhoso panorama da vida no nosso planeta!”
E quem é que pode pôr isso em causa?








