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New Light Pictures
Cinema independente algarvio

Tiros, balas a voar, explosões. No fundo de uma trincheira, um soldado está determinado a cumprir a sua missão: entregar uma mensagem ao oficial no comando.
É esta a história simples da curta «Comando» - dez minutos de grande acção – com efeitos especiais inspirados no filme «Saving Private Ryan».
Só que ao contrário da película de Hollywood, o filme de guerra de Patrício Faísca e do amigo Sonat Duyar teve um custo total de €27,5 – gastos na elaboração de sangue falso e na compra de arame farpado.
“Os nossos filmes são feitos com base nos recursos que conseguimos arranjar. Basicamente é troca de favores, e empréstimos. Só pagamos por algo se for mesmo necessário”, diz Patrício Faísca.
Para criar o campo de batalha, foi necessário cavar, à mão (à falta de melhor opção), uma trincheira com mais de 15 metros de comprimento, que exigiu a coordenação de uma equipa de cerca de 20 pessoas que trabalharam voluntariamente ao longo de dois intensos dias de filmagem.
“Sabemos que o filme está a viajar pelo mundo. Recebemos e-mails de pessoas que estão dispostas a exibi-lo em festivais de curtas. Em princípio vai para a Rússia e para a Índia, ainda este ano”, diz Patrício Faísca. Recentemente, foi exibida no New York Portuguese Short Film Festival 2011.
Em Portugal, “temos sido muito acarinhados”. Um exemplo é o sucesso no «Shortcutz», um evento que ocorre todas as terças em Lisboa, e quartas no Porto. São exibidas duas curtas-metragens por sessão, só produção recente, para dar novidades ao público.
“O que é bom nisso é que os autores são convidados a irem apresentar o seu trabalho”. No final há um prémio mensal e anual (uma pequena gala, com várias categorias).
No norte, «Comando» foi distinguido como a melhor curta de Abril.
Patrício Faísca apaixonou-se pelo cinema ainda em criança. Aos seis anos começou a ver documentários “making of” na televisão. Ficava fascinado com os efeitos especiais.
O início foi precoce. Tinha 10 anos quando pediu a câmara emprestada ao pai para as primeiras experiências. Em 2000, gravou a primeira longa-metragem, «A Mata», inspirado no então muito na moda «Blair Witch Project».
“A partir daí, vi que não estava assim tão longe de começar a fazer qualquer coisa”, diz.
Tal como acontece com tantos jovens cheios de potencial, a escola não correu bem. “Os meus pais sempre defenderam os estudos. Mas eu fui pessoa que fiquei pelo 10º ano. Ia à aulas, mas o que eu queria era estar a filmar e a criar, em vez de estar em frente aos livros. Além disso, para mim, lucrava mais estar a aprender através de tutorais na Internet”, do que a frequentar o curso de Multimédia, “que para mim era uma fantochada. Até foi numa altura em que o Governo perdeu muitas das licenças do software”, e decepcionado, Faísca decidiu seguir outro caminho.
Consequências? Em Abril de 2009, o filme de terror «Vila Gondra», com um orçamento de €65, causou grande sensação na SIC Radical. Escolhido por Pedro Boucherie Mendes, director de Canais da SIC, para ser exibido no âmbito das comemorações do 8º aniversário da estação. Foi transmitido 4 vezes.
“Um filme não é só filmagens. É todo um trabalho de preparação, de pós-produção e de o distribuir da melhor forma possível”, diz o fundador da New Light Pictures. E é também a capacidade de inovar e criar soluções práticas (algumas são verdadeiras engenhocas) para lhes dar vida.
“Isto começou com um sonho. Que tem vindo a apanhar várias pessoas. Comecei sozinho e a partir daí fui juntando um grupo de jovens que começaram a interessar-se e hoje são mais do que braços direitos para mim”. Um exemplo é Nelson Mendonça, 22 anos, que começou como figurante, e faz parte da equipa desde 2002.
No futuro, “gostaria de ter uma empresa que se dedicasse ao cinema, de fazer parte de uma indústria”, diz Faísca.
A próxima produção a estrear ainda este ano chama-se «Agente K17». Para já “apenas existe um website, pois o filme é para sair no final deste verão. Trata-se de um género novo para nós, que envolve comédia misturada com acção. É uma crítica à política que se faz em Portugal.
Retrata um agente secreto que é contratado pelo governo português que não tem dinheiro para financiar a sua missão. A partir daí, vai-se desenrolar toda a acção.”
Mas a ambiciosa equipa (actualmente ronda a vintena de pessoas envolvidas), tem outro projecto em mão, o maior e mais caro de sempre, “uma forte aposta para o início de 2012”.
Chama-se «Último Recurso» e conta um orçamento de 600 euros.
Envolveu catering, e deslocações a vários sets de filmagens um pouco por todo o Algarve – Messines, Lagos e Albufeira.
A realização e o argumento é de Patrício Faísca, que não quer levantar muito o véu. “Posso dizer que é um estilo diferente. É sobre um género que há muito tempo andava a procurar explorar, que é um género mais ligado ao futuro. Estamos a explorar o drama, junto com a acção”.
“Tivemos de investir em sangue, que é algo característico dos nossos filmes. Como temos tido algum sucesso, temos estado a apostar e a ir mais longe nesse processo. São os nossos efeitos especiais”, brinca. A fórmula é simples – detergente para a louça e corante. “Se calhar não é a melhor, mas para nós e para a câmara funciona”.
Na boca, é geleia de milho e corante. Outro aspecto importante “é a presença feminina”, nos filmes.
Uma das dificuldades é arranjar colaboradores para os elencos. “Por enquanto, ainda andamos muito aqui nas redondezas (de Loulé) a arranjar pessoal. Temos algumas pessoas com experiência em televisão, que já fizeram castings e workshops. E também não é fácil arranjar actores mais velhos”, lamenta.
Para já, os mentores da New Light Pictures, ainda não apresentaram o grupo a nenhuma entidade oficial. “Não. Tendo em conta que não somos profissionais da área, estamos a tentar ganhar a nossa maturidade primeiro”. Segundo Faísca, são vistos como “futuras promessas” pela Algarve Film Comission.
“Eu acho que o Algarve tem bastante potencialidade para cinema, como a luz e as paisagens. Quando vou gravar e vejo os locais através da objectiva, penso que gostaria de ver isso num filme. Há muitas ruínas, há muitos sítios abandonados. Temos praia, temos o interior do campo. Há um pouco de tudo. Só falta mesmo é a indústria”…
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Funcionários de supermercado produziram sem fundos o “Melhor Filme Nacional” no Festival de Cinema de Arouca
Almancil, 4 de Novembro de 2011
Uma equipa composta por uma dúzia de jovens Algarvios, a maior parte dos quais funcionários no mesmo supermercado, juntou-se para produzir um filme de guerra sem qualquer tipo de orçamento e usando uma vulgar handycam digital.
A curta-metragem de 10 minutos foi filmada em 2 dias e custou 27€ (gastos na produção de sangue falso e na compra de arame farpado e envelopes) mas tem vindo a arrecadar prémios pelo país fora ao longo do último ano e meio, incluindo “Melhor Produção Nacional de 2010” na gala anual do Shortcutz Lisboa, onde foi também nomeada para “Melhor Direção de Arte”; “Melhor Curta do Mês” no Shortcutz Porto; “Melhor Realização” no Festival de Curtas do Algarve; e ainda no passado mês de Setembro, “Melhor Filme Nacional” no 9º Festival Internacional de Cinema da Arouca.
«Comando», realizado por Patrício Faísca e Sonat Duyar, foi ainda escolhido para a Selecção Oficial dos festivais Porto 7, Fest 2011, XI-SéVideo, New York Portuguese Film Festival e muito recentemente para o Bragacine 2011, onde será exibido no Auditório B1 do Campus de Gualtar da Universidade do Minho, em Braga, no próximo dia 9 de Novembro, às 21:45 e no dia seguinte no mesmo local, na Cerimónia de Encerramento e Entrega de Prémios do mesmo festival.
Tem sido ainda solicitado em inúmeras ocasiões para exibição no âmbito de mostras de cinema, tanto em Portugal como no estrangeiro, em particular no Reino Unido, nos Estados Unidos da América, no Brasil, na República Checa e até na China.
«Comando» é uma perspectiva crua sobre o tema universal do absurdo da guerra, concretizado na demanda impossível de um soldado idealista a quem foi atribuída a missão de entregar uma mensagem ao oficial no comando no meio de um campo de batalha.
O filme tem sido descrito como um fenómeno no que toca tanto à qualidade da fotografia e dos efeitos visuais, como ao elevado valor de produção conseguido, sem qualquer tipo de meios.
Sonat Duyar, co-realizador, explica o segredo por trás da produção: “quando se quer fazer um filme mas não se tem fundos, o melhor é abordar o processo de produção no sentido oposto ao convencional: em vez de se pegar num argumento e tentar reunir as condições para o transformar num filme, começa-se primeiro por olhar em volta e ver que recursos interessantes poderão estar disponíveis gratuitamente e só depois é que se tenta construir uma história que tire o máximo partido deles. Comando é o resultado de uma abordagem deste tipo: conhecíamos praticantes de airsoft que nos poderiam facilitar o acesso a réplicas de metralhadoras e a equipamento militar. Daí decorreu que haviam condições para se fazer um filme de guerra.”
O maior desafio de uma produção deste tipo seria recriar o caos e destruição característicos de uma zona de combate, mas os cineastas contornaram esta dificuldade focando toda a ação no interior de uma trincheira, um ambiente fechado e fácil de controlar, onde puderam concentrar todos os limitadíssimos recursos.
“A trincheira, com cerca de 20 metros de comprimento, foi cavada com pás e enxadas ao longo de 4 dias no terreno de um vizinho. Durante as filmagens, a equipa técnica revezou-se continuamente para encarnar os vários personagens da história, uma vez que não tínhamos actores. A banda sonora foi composta por mim num teclado eletrónico. Foi tudo feito entre amigos e à base de pedir coisas emprestadas”, explica Sonat.
Mas depois de explicados “o quê” e “o como”, ficam no ar as perguntas: quem? E porquê?
NEW LIGHT PICTURES
A equipa que produziu «Comando» auto-denomina-se New Light Pictures e é na sua maioria composta por jovens na casa dos 20 anos que cresceram unidos pelo gosto comum pela produção de cinema.
Têm vindo a realizar filmes independentes continuamente, há mais de 10 anos, atingindo ao fim deste tempo uma qualidade e organização equiparável à de uma equipa profissional.
A falta de fundos que assola o cinema independente tem impedido que estes dedicados cineastas possam ganhar a vida daquilo que mais gostam de fazer, mas não foi isso que os fez parar: para se manterem, conjugam trabalhos a tempo inteiro durante a semana (a maioria deles trabalha no mesmo supermercado), com a produção cinematográfica de grande qualidade, ao fim-de-semana, na qual investem a maior parte das suas poupanças, vendo pouco ou nenhum retorno.
Sendo a produção cinematográfica um trabalho altamente exigente, que proporciona stress em doses concentradas e requer enorme organização, extrema disciplina e coordenação de múltiplas pessoas e recursos, esta persistência só pode ser explicada de uma forma: uma enorme paixão pelo que se faz e uma colossal determinação.
Embora esta paixão seja pelo cinema, a equipa foi também premiada no Festival da Arouca pelo video-clip “Money Comes to You”, que produziu para o grupo de rap Louletano “Tribruto”. Devido à grande qualidade do seu trabalho, a New Light Pictures tem sido cada vez mais solicitada para realizar trabalhos mais comerciais, incluindo um grande número de videos promocionais. A equipa tem por isso intenções de apostar para breve na formação de uma produtora.
MAIS INFORMAÇÕES
Contacto:
e-mail: Email
0351 91 531 54 63 (Nélson Mendonça)
Sobre o filme “Comando”:
newlightpictures.weeb…mando.html
(trailer, fotos, making of, ficha técnica, etc)
Sobre a New Light Pictures:
http://www.newlightpictures.net/
Sobre o video-clip “Money Comes to You”:
http://newlightpictures.weebly.com/money-comes-to-you.html
Sobre o Festival Internacional de Cinema da Arouca:








