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Projecto TASA
Artesanato para o futuro

“Ainda há poucos anos atrás, falava-se muito que estávamos a perder as nossas tradições”, considera Albio Nascimento, designer da empresa luso-alemã «The Home Project», que desenvolveu o projecto TASA para a CCDR Algarve.
“Hoje continua-se com o mesmo discurso. Mas isto é mesmo real. Há uma série de artefactos que se perderam, que eram coisas da vida rural e que deixaram de se fazer.”
“Até as cestas de cana, já não são tão fáceis de encontrar”. Porquê? “Porque já não têm aquela utilidade que tinham na agricultura, no quotidiano da serra. E portanto, todas as coisas que não encontraram um escape comercial, por mais pequeno que seja, perderam-se”.
Antes que seja tarde demais, “quisemos reabilitar o produto tradicional algarvio”, o seu estatuto cultural e comercial. Foi um trabalho intenso, quilómetros percorridos e reuniões com vários parceiros, até chegar ao terreno, às oficinas dos artesãos.
“Tentámos abranger o máximo de técnicas e materiais existentes na região - cestaria, palma, verga, cortiça, barro, tecelagem - e cruzá-las”, conta Albio Nascimento.
Depois, “tentámos identificar tipos de produtos que estavam em falta na região. Perguntámos às entidades, como câmaras municipais, por que motivo não compravam brindes promocionais, ou pequenos produtos feitos na região?
Íamos a lojas em museus e perguntávamos por que motivo estão aqui vitrinas e nenhuma delas tem produtos deste concelho?”
“Diziam-nos apenas porque não há. A resposta era que o artesanato é inacessível. Com este projecto, provou-se que é possível, que existe produção regional capaz de responder com qualidade a um grande leque de situações.
Desde recordações para turistas, até objectos de decoração e uso quotidiano”, explica Albio Nascimento.
Um exemplo prático é a criação de uma identidade gráfica para o sal de Castro Marim. A nova marca vai surgir agora em 2500 saleiros de barro, produzidos em parceria por duas olarias do Algarve, uma encomenda da autarquia.
Ana Silva, artesã de Messines, faz trabalhos em cana e em fibras vegetais. Um dos objectos que criou foi um bordão, útil para caminhadas.
Tem a particularidade de ter uma câmara para guardar “memórias da viagem”, como flores e plantas silvestres. Foi concebido como proposta de merchandising para entidades como a Via Algarviana, Rota Vicentina ou outras ligadas ao turismo de natureza.
No âmbito do TASA, esta artesão criou o “apito dos namorados”, que tem potencial para ser uma recordação romântica de baixo custo para quem visita a região.
O trio de artesãs da Torre, conhecidas pelos seus brinquedos em madeira, reformularam uma faceta pouco explorada - a bijutaria feita com frutos secos, sementes e materiais naturais.
Para o projecto TASA, criaram também um jogo de peças de madeira inspirados na arquitectura regional.
Albio Nascimento explica que “os elementos geométricos das platibandas dos telhados algarvios foram adaptados a um escantilhão que tanto pode ser utilizado por crianças, como por um arquitecto interessado” em recuperar esta tradição.
Durante a apresentação que reuniu representantes de várias entidades oficiais, Rui Parreira, da Delegação Regional de Cultura do Algarve lamentou que “aquilo que se põe à venda nas lojas da ERTA”, é “plastificado” e “tem muito pouco a ver com as tradições artesanais do Algarve”.
Além disso, considerou que é “um problema, porque é concorrência desleal para o escoamento do que melhor se faz em termos de artesanato local”.
Por outro lado, Albio Nascimento defendeu que “o turismo não pode ser o objectivo final destes produtos. Tradicional é aquilo que nós usamos. Nós é que fazemos a nossa tradição.
As pessoas que vêm cá, olham para nós, e eventualmente querem levar consigo algo que nós utilizamos, porque cimento já têm melhor que o nosso” nos seus países de origem.
Cabe “também ao público e ao consumidor algarvio e português integrar no seu quotidiano estas coisas. Não é preciso comprar porque é um produto de design, mas porque é algo normal para se utilizar”, no dia-a-dia.
Inovar foi um processo de parceria e não um exercício de design. “O artesão é de certa forma quem acredita” as peças. “Há pessoas, como o senhor Francisco Eugénio”, nascido numa olaria em Moncarapacho, “que têm gerações atrás de si. Ele aprendeu com o avô. Portanto, se eu proponho uma nova forma, ele dir-me-á imediatamente se faz sentido dentro daquilo que é a sua cultura local. Nós fomos apenas um refinar do motor das coisas”, considera Albio Nascimento.
O projecto TASA teve ainda como objectivo combater o isolamento e hábitos individualistas, pondo artesãos de idades e saberes diferentes a trabalharem em rede.
Um dos vários exemplos de colaboração conjunta é a garrafa de barro que o oleiro Ricardo Lopes (o mais jovem do grupo) desenvolveu para Luís Sequeira, produtor de medronho de Silves.
Houve também oportunidade para dar consultadoria a empresas e produtores locais, como a Roficer – Cerâmica da Fonte Salgada – que precisou de ajuda para desenvolver novas cores nos seus tijolos vidrados.
Ainda durante a apresentação do TASA, houve uma discussão inconclusiva sobre o futuro quer desta iniciativa, quer do próprio artesanato algarvio. Depois de várias intervenções, no debate não se chegou a nenhuma solução sobre a sua continuidade. Nem sobre a questão mais importante – a comercialização e sustentabilidade.
Existe a ideia de uma loja on-line, mas como foi dito durante o debate, “a bola ainda está em jogo”.
Apesar dos discursos de boa-vontade de algumas instituições presentes em disponibilizar espaços para a venda, a realidade é que, a prática vigente de colocar artigos à venda à consignação, torna este um trabalho potencialmente precário.
Além disso, foi referido que o artesanato é taxado a 23 por cento de IVA.
O TASA começou em Agosto de 2010 e termina este ano no mesmo mês, com o lançamento de um catálogo sobre todo o trabalho desenvolvido. Teve um orçamento de cerca de 100 000 euros, com o apoio do POAlgarve 21.
O blog desta iniciativa atingiu 13 mil visitas em apenas seis meses. Além disso, está a ser produzido um documentário audiovisual pelo realizador Jorge Murteira, que acompanha o projecto desde o início.
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O evento final do TASA “Técnicas Ancestrais, Soluções Actuais” apresentou os 20 produtos finais do projecto.
Onze artesãos de várias zonas, detentores de saberes ancestrais no trabalho com materiais diversos – barro, cana, cortiça, linho, madeira, palma e verga – trabalharam em conjunto com os designers Kathi Stertzig e Albio Nascimento, na concepção e execução das novas ideias. 35 Jovens foram envolvidos e sensibilizados para o desenvolvimento de actividades artesanais.
Finalmente, 5 empresas tiveram consultadoria nas áreas de comunicação, packaging e/ ou promoção.
O TASA é um projecto promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, desenvolvido com o apoio do POAlgarve 21 pela empresa de design The Home Project GbR.







