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Internacional Clube de Almancil

Uma escola de campeões

O Internacional Clube de Almancil nasceu em meados de 1997, quando um grupo de pessoas ligadas à modalidade se juntou e decidiu que as crianças da terra mereciam ter uma formação desportiva condigna. Desde então, e apesar de nem sequer ter campo próprio, este pequeno clube tem dado nas vistas a nível nacional, quer pelos resultados, quer pela qualidade dos atletas que forma - logo a partir de tenra idade. Actualmente, o clube tem cerca de 150 jovens a jogar (incluindo uma equipa feminina de futebol) divididos por sete escalões. Em breve, vai apresentar um novo projecto pedagógico, em articulação com as escolas do ensino básico da freguesia. Conversámos com o actual presidente, Luis Carlos Donnes, 40 anos, sobre o presente e futuro deste clube que se assume como uma escola de campeões.
Edição 682 (16 Jun 2011), Sem Comentários »

“O Internacional Clube de Almancil é um clube que a nível de formação é dos que tem mais títulos ganhos no Algarve. Conquistámos tudo o que havia para ganhar. No ano passado, éramos a única equipa na primeira divisão do campeonato nacional de juniores”, começa por explicar Luis Carlos Donnes.

“O nosso principal objectivo é tentar dar, ano após ano, a melhor formação possível aos nossos jovens, sobretudo aos mais pequeninos. São o nosso maior investimento. Até há dois anos atrás, nem sequer cobrávamos qualquer quota aos pais”, diz.

Os mais “pequeninos” são crianças dos 5 aos 10 anos, que cedo começam a desenvolver o trabalho de equipa e o espírito colectivo.

“Temos atletas que já saíram e que estão neste momento a militar em clubes de nomeada, como por exemplo, o Olhanense.

Temos lá o Joshua Silva, jovem que já foi convocado pela Selecção Nacional de Sub-21. Neste momento, temos cinco atletas que saíram dos juniores e que estão em vias de ingressar em clubes de primeira divisão.

Temos por exemplo um atleta que é capaz de ir para o Futebol Clube do Porto, e um outro para o Nacional da Madeira”, informa.

“Costumo dizer, e acho isto importante, todos eles alcançaram uma forma de estar na vida que resulta do desporto, em termos de disciplina, rigor e trabalho. Tentamos que os nossos jovens apliquem o que aprendem no futebol à vida lá fora”, considera.

Na verdade, o trabalho de formação deste clube não se esgota no ensino desportivo. A sede “funciona também como um centro de explicações. Os jovens quando saem da escola, podem ali fazer os trabalhos de casa antes dos treinos”, explica.

“Em breve, vamos apresentar um projecto que vai fazer uma interligação entre a escola e o futebol. Haverá uma ponte entre os professores e a nossa formação, para saber realmente se os alunos se estão a comportar devidamente para que possamos devidamente interagir na parte pedagógica”, diz o presidente.

“As escolas de futebol têm de evoluir. Vemos muitas vezes que os miúdos são castigados porque não têm boas notas. E os pais proíbem-nos de irem aos treinos. Portanto, preferimos dar esse complemento educativo aos miúdos para que possam ir treinar. Senão, toda a gente perde”.

Actualmente, “temos quatro equipas de futebol de sete, e cinco de futebol de onze. Esta estrutura poderá manter-se ou não para o próximo ano, consoante os fundos que consigamos angariar nas nossas iniciativas.”

“Infelizmente, como todos sabemos, há uma crise geral e nós somos apoiados em grande parte pela autarquia de Loulé”, que também “está em dificuldades e cortou substancialmente o nosso contrato-programa”.

Para a próxima época, o clube precisa de cerca de 60 mil euros. “Neste momento, temos metade desse orçamento a descoberto.”

Uma das iniciativas para manter o clube activo é um torneio de golfe, marcado para dia 10 de Julho na Quinta do Lago.

“Está aberto a qualquer pessoa interessada que queira participar. Vai realizar-se na Quinta do Lago. Não é necessário ter qualquer handicap específico”.

As inscrições têm o preço de referência de 50 euros, mas o preço é flexível e está aberto às possibilidades de cada participante.

Em termos de números, a estrutura do clube envolve 2 a 3 técnicos por escalão (sete no total).

Cada escalão tem um director técnico e exige também apoio logístico – transportes, marcação de campos, alteração de jogos.

“Estamos a falar de 30 a 40 pessoas, cada uma com a sua responsabilidade e a sua função”, contabiliza. E “tentamos ir buscar os melhores treinadores, dentro das nossas possibilidades financeiras”, garante o presidente.

Cerca de 90 por cento dos atletas são do concelho de Almancil, e os restantes de Faro e Olhão.

“Temos sempre uma altura em que fazemos captação de jovens. Organizamos torneios nas escolas primárias e convidamos jovens para virem treinar connosco”.

Outra forma de angariar jogadores “são os pais que querem pôr os filhos a jogar futebol. Seja como for, o Clube está aberto a toda a gente. Não é só para aqueles que sabem jogar à bola.

Temos miúdos que até nem têm muito jeito, mas que acabam por se integrar”. Ou até a ir mais longe.

“O talento tem de ser trabalhado. As equipas do Internacional de Almancil que fizeram grande sucesso, foram feitas de jogadores que foram desprezados de outros clubes. O potencial estava lá, mas não era explorado”, diz.

“Somos também dos únicos clubes que têm uma equipa feminina, entre os 14 e os 18 anos. É um projecto novo, com cerca de 6 meses. Como no Algarve não há campeonato feminino, teremos que organizar uns torneios para as nossas atletas.”

“É engraçado porque elas é que chegaram ao Clube e perguntaram-nos se estaríamos interessados em fazer futebol feminino. Temos um departamento técnico que cuida delas e tem corrido bem”, contabiliza.

E o futebol ainda é rei? “Hoje os tempos são outros. Os jovens têm as consolas de jogos, os computadores, a Internet que acabam por ser uma concorrência muito forte.

Antigamente, havia menos distracções e talvez por isso, o futebol era vivido com mais intensidade”, admite Luis Carlos Donnes.

“Era levado mais a sério”. “Temos jovens que realmente querem ser jogadores profissionais no futuro, mas também tenho outros que tocam piano, que são artistas de teatro, que têm outro tipo de horizontes que não apenas o futebol”, diz.

“Penso que os jovens hoje já vivem o futebol de outra forma. Conheço muitos que jogaram e depois continuaram o seu percurso natural no ensino superior”, diz.

Por último, Luis Carlos Donnes apela a que os “pais participem mais na vida desportiva dos filhos.

E que entrem também em sinergias com os clubes, que precisam dessa ajuda. Gostaria que os pais incentivassem os filhos a praticar desporto, seja futebol, seja outro qualquer.

Hoje em dia, as novas tecnologias estão a fazer com que os nossos filhos sejam cada vez menos sociáveis, menos saudáveis e mais obesos”, conclui.

Para o Internacional Clube de Almancil, abraçar outros desportos “não estará fora de questão. No fundo, se víssemos que havia muita gente interessada num certo desporto, tudo faríamos para o iniciar.

O que nos falta aqui são mais equipamentos desportivos. A freguesia está um pouco esquecida.

Temos poucas condições e precisávamos urgentemente de mais um campo de futebol. Temos só um tempo e a sua utilização é muito difícil de conjugar. Mas se houvesse essa possibilidade, penso que seria a natação”, diz o presidente.

Luis Carlos Donnes acredita que “os clubes existem para servir a população”. “O objectivo desta direcção é chamar mais a sociedade civil para junto do nosso projecto. E também alertar as empresas da zona que fazem falta para o desenvolvimento do clube e dos atletas.

Neste momento, acho que os empresários não estão sensibilizados”, lamenta, apesar de Almancil estar numa das zonas mais nobres do Algarve. Relativamente ao torneio de golfe, as inscrições podem ser feitas pelo telemóvel 962 656 992.

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