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José Pearce de Azevedo
Memórias de um cônsul honorário britânico

É pouco provável que aquilo que José de Azevedo aqui revela possa causar alarme em Whitehall - rua no centro de Londres onde estão sedeados muitos do serviços governamentais e administrativos do Reino Unido.
Mas, ainda assim, é um olhar fascinante e frequentemente divertido aos bastidores do trabalho de um homem que foi durante muito tempo, o decano dos serviços consulares no Algarve. Nesta posição, conviveu intimamente com membros da família real britânica, líderes políticos e celebridades várias, assim como vulgares cidadãos expatriados e vilões.
O sempre sociável e convivial “Joe” - alcunha pelo qual sempre foi tratado pelos amigos e colegas mais próximos – tinha a seu favor uma origem familiar bastante apropriada para o cargo de representante da Grã-bretanha. É neto do célebre portimonense Manuel Teixeira Gomes, que foi durante sete anos embaixador de Portugal em Londres. O seu avô foi o primeiro diplomata português enviado ao Reino Unido depois da queda da monarquia (na revolução do 5 de Outubro de 1910). Apresentou as suas credenciais ao Rei George V em 1911. Mais tarde, como é sabido, Teixeira Gomes tornou-se o sétimo Presidente da República Portuguesa, nos anos de 1923 a 1925.
O pai e o avô paterno de José de Azevedo foram também ambos vice-cônsules no Algarve. Portanto, ele seguiu-lhes os passos, ao ser nomeado vice-cônsul em 1965 quando tinha 35 anos de idade. Em 1974, tornou-se cônsul honorário. A sua esposa, Zefita, juntou-se-lhe oficialmente na qualidade de procônsul em 1983. Trabalharam juntos no consulado britânico de Portimão até à reforma, em 2000.
Estiveram os dois presentes na recepção na embaixada britânica em Lisboa, durante a visita de estado da rainha Elizabeth II a Portugal (18 a 20 Fevereiro de 1957). José de Azevedo recorda-se de um incidente engraçado que provocou o riso geral entre o pessoal diplomático. Quando a rainha se afastou da sala cheia de gente onde estava, para visitar outra parte do edifício, o príncipe Philip apareceu, olhou ao redor e perguntou em voz alta: “alguém viu a minha mulher? Onde é que ela está?”
Numa outra ocasião oficial na embaixada, o príncipe e a princesa de Gales questionaram José de Azevedo sobre a gravata que ele estava a usar. Tinha um brasão com uma coroa dourada sobre a qual estão três plumas de avestruz – o emblema heráldico do príncipe de Gales e que por vezes é utilizado para representar esta zona do Reino Unido. Por baixo, tinha bordado duas iniciais. José apontou com o dedo e disse ao perplexo herdeiro do trono: “Sua Majestade, o C é de Charles e o D é de Diana!”. Recorde-se que o casal visitou Portugal de 11 a 14 Fevereiro de 1987.
Sarah Ferguson, a Duquesa de Iorque, veio ao Algarve passar umas férias privadas com as suas duas jovens filhas. Foi no Verão logo a seguir, após ter sido sub-repticiamente fotografada em topless e com um amigo americano a chupar-lhe os dedos dos pés (em Agosto de 1992). Fergie, Beatrice e Eugenie ficaram numa villa privada próxima de Lagos. No final da sua estadia, os paparazzi amontoavam-se no portão da frente, na esperança de conseguirem fotografar a saída do trio real, e claro, de montarem uma perseguição até ao Aeroporto de Faro.
Um carro com cinco pessoas a bordo saiu disparado de um dos portões e acelerou rapidamente para leste na estrada principal, rumo ao aeroporto. O chefe da polícia de Portimão estava totalmente fardado e era claramente visível no lugar do passageiro da frente. Mas os três passageiros traseiros eram menos visíveis. Com os paparazzi atrás, o carro de escape continuou até ao hotel da Penina, já próximo de Portimão. Aí, fez uma curva apertada para a esquerda e continuou para norte numa estrada secundária, em direcção à serra. Como seria de esperar, os fotógrafos fizeram exactamente o mesmo e continuaram a entusiástica perseguição.
Cerca de 10 minutos depois do primeiro carro e dos paparazzi terem saído da villa, um segundo carro partiu com muito mais calma. Este veículo levava Fergie e as duas filhas no banco de trás e seguiu até ao Aeroporto de Faro, sem levantar o mínimo interesse de quem quer que fosse. Resta dizer que o primeiro carro, era um engodo e os três passageiros eram agentes da polícia. O condutor, o homem que tinha planeado a manobra de diversão, era o próprio José de Azevedo, OBE.
Em 1977 foi armado cavaleiro com a condecoração Order of the British Empire (OBE), apesar de não ter a certeza do que fizera exactamente para merecer tal distinção. Ainda hoje não sabe ao certo, mas suspeita que teve qualquer coisa que ver com o seu trabalho consular, no rescaldo da revolução de Abril de 1974. Esta, conforme o próprio admite, foi a época mais difícil que atravessou enquanto cônsul.
Alguns cidadãos britânicos residentes, preocupados com a situação, bateram retirada do Algarve. Pelo menos, temporariamente, durante o conturbado período pós-revolução. Entre eles estava a lenda do golfe, Sir Henry Cotton, um amigo próximo e um parceiro frequente de José de Azevedo neste jogo. Para ajudar a aliviar os sentimentos de insegurança entre aqueles que ficaram, Azevedo montou uma rede de informação. Dividiu a região em seis áreas, e em cada uma delas, escolheu um expatriado com perfil de destaque, para comunicar directamente com o consulado de Portimão. E assim, estava em condições de trocar informações entre as autoridades portuguesas e a comunidade britânica, a quem ele gostava de se referir como os seus “paroquianos” (parishioners). Na altura, José de Azevedo conhecia os oficiais mais importantes, como o Major Branco, chefe das forças militares no Algarve.
Durante este período, teve várias reuniões com o embaixador britânico, Sir Nigel Trench. Um dia, este diplomata confidenciou-lhe que quando fora nomeado para o cargo em Lisboa, as pessoas todas comentavam a sua enorme sorte, porque Portugal era o retiro ideal. “A revolução rebentou assim que cheguei. Não podia ter sido melhor!”, ironizou Sir Nigel Trench.
Sempre um homem ocupado, para além de trabalhar para o Ministério Britânico dos Negócios Estrangeiros, José de Azevedo foi o primeiro presidente da Comissão Regional de Turismo do Algarve (tomou posse em 1970). Esteve também à frente da Junta Autónoma dos Portos de Barlavento do Algarve, durante 35 anos. Tudo isto exigia longas horas no escritório, mas não só. Eram frequentes os almoços, as festas, os cocktails e recepções, e os jantares de gala.
Num desses eventos, José de Azevedo pode apresentar, informalmente, Jack Eden, o cônsul britânico em Lisboa ao então icónico Presidente da República, Mário Soares. Mas não era uma ocasião oficial, nem formal. Aconteceu que ambos os cônsules e o histórico político português tinham ido comer ao mesmo restaurante, por coincidência. Quando se voltaram a encontrar uns dias depois, José estendeu a mão ao seu colega, mas Jack recusou o cumprimento. “Ainda não lavei a minha mão desde que conheci o Presidente!”
José era um bom amigo e quando necessário, desviava-se do seu caminho para dar ajuda pessoal a políticos em visita a Portugal. A sua lista inclui nomes como Sir Geoffrey Howe, o braço direito da então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, e Duncan-Sandys (mais tarde Barão Duncan-Sandys), ministro nos sucessivos governos conservadores, que chegou a ser genro de Sir Winston Churchill (casou em 16 de setembro de 1935 com Diana Spencer-Churchill, a filha mais velha do estadista Inglês. Tiveram 3 filhos, mas acabaram a relação em 1960).
Outro político de topo de Margaret Thatcher (o qual José de Azevedo não quis revelar o nome) também visitou o Algarve com a mulher. Contudo, quando foi cumprimentar o casal e lhes levou uma caixa de Dom Rodrigos, não estava ninguém na villa. A única pessoa que estava na propriedade era o jardineiro. Então, José entregou-lhe os bolos e pediu que os entregasse “à dona da casa”, com os cumprimentos do consulado britânico. Certamente que a “a dona da casa” deve ter ficado muito contente. O cônsul enganou-se na morada…
Bem, no dia seguinte, o tal político de topo de Margaret Thatcher recomendou-lhe com arrogância que deveria ter “mais cuidado” com as moradas, porque não queria que ninguém soubesse onde estava. Então, José de Azevedo replicou que tinha ido ao endereço errado porque tinha sido incorrectamente informado pelo próprio gabinete do referido político em Londres. Alguns dias depois, o mesmo político telefonou a José de Azevedo a queixar-se que lhe tinham roubado uma mala vermelha cheia de documentos da sua villa de férias. O cônsul encetou imediatamente todos os esforços para a recuperar. E com sucesso! A mala tinha sido arrombada, e portanto, o consulado devolveu-a ao dono, atada com uma corda para evitar que os papéis caíssem pelo chão…
Depois de fazer um telefonema de cortesia ao Chief Whip (o deputado responsável pela disciplina da bancada nas votações e pelo respeito às normas parlamentares) do partido trabalhista que estava hospedado num hotel de luxo do Algarve, José de Azevedo perguntou-lhe se gostaria de enviar alguma mensagem a outro político (Tory cabinet minister) que estava de visita, e com o qual iria jantar nessa noite, num outro hotel… um pouco mais humilde.
“Cônsul, por favor expresse o meus melhores cumprimentos ao ministro, mas não o meu afecto”, disse o homem dos trabalhistas. Quando José de Azevedo entregou a mensagem ao destinatário, este perguntou-lhe onde é o chief whip estava alojado. Ao ouvir a resposta, exclamou: “é sempre o mesmo, trabalhistas em hotéis de cinco estrelas, conservadores nos de quatro estrelas!”
Certo dia, um outro membro do parlamento britânico (que ficará também anónimo nesta história) pediu ao cônsul do Algarve para convencer as autoridades locais para ligarem a sua villa, próxima do cabo de São Vicente, à rede eléctrica, de esgotos e água, e já agora, para instalarem uma linha telefónica. “Prometi-lhe que faria o meu melhor, mas avisei que era sem garantias pois eu não era Deus”, recorda.
E assim foi. Puxou os cordelinhos e as ligações necessárias foram feitas com tanta rapidez e eficiência, que o deputado escreveu a José de Azevedo uma carta a dizer que ele pode até não ser divino, mas a sua influência tinha tão milagrosa, como o papel de Moisés quando dividiu o mar vermelho. O deputado disse graças ao cônsul já podia “fazer torradas e grelhar peixe”. Grato, prometeu ser o “evangelista” de José de Azevedo em Londres. Mas mais tarde, quando o cônsul precisou dos seus conselhos especializados num determinado assunto, o “evangelista” nem sequer se dignou a enviar a “Moisés” um aviso de recepção à sua carta…
Cherie Blair, por outro lado, enviou-lhe não apenas uma carta simpática, como também uma fotografia da família toda à porta do n.º 10 de Downing Street, imediatamente depois da vitória do marido Tony, nas eleições de 2001. Era o agradecimento por uma pequena prenda, e pela pronta ajuda quando a recebeu com filho bebé Leo ao colo no Aeroporto de Faro, no inicio de umas férias na quinta de Sir Cliff Richard, na Guia.
Muitos anos antes, quando José de Azevedo conheceu Cliff, o cantor pop era famoso, mas ainda jovem e sem o título de cavaleiro. Ele tinha uma casa de férias em Albufeira, próximo do cemitério. A localização garantia-lhe paz e sossego. No entanto, começaram a circular rumores que a câmara municipal estava a planear mudar o cemitério para outro local, e substituir toda a zona por um complexo turístico. Cliff disse então ao cônsul, que se isso acontecesse, abandonaria Albufeira.
Tal não aconteceu, e alguns anos mais tarde, José de Azevedo estava presente quando o município honrou Sir Cliff Richard ao atribuir o seu nome a uma rua de Albufeira. E quando o cantor não pode estar presente numa cerimónia no Algarve, na qual o governo português lhe atribuiu uma medalha de ouro pela sua contribuição no desenvolvimento da indústria do turismo, foi José de Azevedo que a recebeu. Na altura, também recebeu uma semelhante para si. Ele e o embaixador Roger Westbrook entregaram-lhe a medalha mais tarde na sua nova casa, próxima da Guia.
Nos primeiros anos, quando José de Azevedo começou a trabalhar para o Ministério Britânico dos Negócios Estrangeiros (FCO), era agente de seguros para a Lloyds. E como tal, pediram-lhe que fizesse uma avaliação ao mobiliário de uma senhora idosa chamada Mrs Grant, que tinha uma casa nos arredores de Lagos. Depois de concluir a sua estimativa, disse então à aparentemente vulnerável senhora: “Como cônsul britânico, posso dar-lhe um conselho? Acredito que estaria mais segura se fosse viver para mais próximo de Lagos”.
Ela olhou-o nos olhos e respondeu com severidade: “Se você soubesse quem eu era, onde estive e o que fiz, nem se atreveria a dizer tal coisa, meu jovem!”
A formidável Mrs Nellie Grant fora uma pioneira na colonização da África do leste britânica. José voltou a encontrá-la outra vez, num jantar festivo organizado por um colega do consolado, Donald Armstrong, outro ex-colono do Quénia.
Entre os convidados estava a filha de Mrs Grant, Elspeth Huxley, que contribuiu muito para a conversa na mesa do jantar. Uma intelectual, jornalista, escritora, ambientalista, crítica política e conselheira do governo, Elspeth fora educada no Quénia e escrevera muitos livros sobre a África colonial, incluindo o autobiográfico «The Flame Trees of Thika: Memories of an African Childhood». Ela era amiga de Joy Adamson, a famosa conservacionista e autora do livro «Born Free» (que deu origem a um filme em 1966, que ficou conhecido em Portugal pelo nome «Uma Leoa chamada Elsa»), e também conhecida de Karen Blixen, autor de «África Minha – Out of Africa».
José utilizou discretamente os seus escritórios para mais ecumenismo. Por exemplo, ao apresentar John Satterthwaite, o bispo anglicano de Fulham e Gibraltar a D. Júlio Tavares Rebimbas, bispo de Faro. Participou em discussões sobre a utilização partilhada das igrejas do Algarve. Apesar de conviver muito com os grandes, tinha uma perspectiva realista do seu papel. “Como cônsul, pensei que tinha ajudado os cidadãos sempre que precisassem de ajuda, até com assuntos que à primeira vista nem pareciam responsabilidades do consulado”. E assim conseguiu angariar uma colecção de contactos privados e oficiais.
O trabalho consular punha José em contacto directo com cidadãos britânicos acusados de cometerem crimes sérios no Algarve. Ele assistiu a julgamentos, para ver se a Justiça estava a ser feita. Dos bancos reservados ao público no tribunal de Faro, certa vez, ele interrompeu respeitosamente os trabalhos, ao perceber que o intérprete oficial do réu era um polícia. O juiz concordou, mas disse que o tribunal não conseguiu arranjar outra alternativa. Então, o juiz viu com bons olhos a sugestão do cônsul, que se comprometeu a arranjar uma pessoa qualificada e idónea. Fê-lo imediatamente, ao inscrever a sua secretária pessoal no Turismo do Algarve, em Faro.
A sua reputação no meio judicial era tal, que o magistrado que julgou um caso mediático de ofensas corporais graves em Albufeira, revelou ao cônsul o veredicto (não culpado) num almoço ainda antes de o anunciar no Tribunal. Outro juiz, num caso de assassínio confidenciou-lhe algum tempo depois que às vezes perguntava a si próprio se o veredicto de culpado teria sido o correcto.
No dia 21 de Dezembro de 1992, um DC-10 da companhia holandesa Martinair despenhou-se no Aeroporto de Faro. A seguir ao acidente, José dirigiu-se ao local na dupla função de cônsul e de presidente do Turismo do Algarve. Morreram 54 passageiros dos 327 a bordo. Dois dos 12 membros da tripulação perderam a vida e 106 pessoas ficaram gravemente feridas. Quase todos no avião eram holandeses de férias. Na altura, três dos passageiros que sobreviveram tinham nomes e apelidos que poderiam ser britânicos. Foram vistos a abandonar o aeroporto, mas o seu paradeiro era desconhecido. José conseguiu localizá-los no Hotel Eva, no centro de Faro e encontrou-os no bar. Nunca foi homem de recusar uma bebida, e portanto aceitou o convite para celebrar o facto de estarem vivos.
Anos mais tarde, testemunhou outra tragédia – os grandes incêndios florestais na serra de Monchique, onde muitos cidadãos britânicos tinham (e alguns ainda têm) casa. Viu a bravura e a capacidade operacional dos serviços de emergência que combateram os fogos e que salvaram pessoas das chamas. Então, José de Azevedo sugeriu à Embaixada Britânica que seria apropriado doar desfibriladores de suporte de vida aos bombeiros voluntários, para equiparem as ambulâncias. A sugestão foi aceite e mais tarde, o cônsul entregou-os às corporações de Lagoa, Monchique e Portimão.
A preocupação genuína e discreta que José de Azevedo nutria pelo cidadão comum foi a principal característica que o distinguiu enquanto representante do governo britânico. Foi também por esta razão que ele era tão conhecido e estimado. Durante um intervalo de férias em Londres, foi ver o render da guarda no Palácio de Buckingham. Para seu grande espanto, um dos guardas à porta perguntou-lhe num português perfeito – “O senhor não é o Dr. Azevedo, o cônsul britânico no Algarve?”. Descobriu então que o guarda inglês tinha aprendido a falar português em Vale do Lobo, quando trabalhou no Hotel Dona Filipa.
Claro que, os seus “paroquianos” eram um lote diversificado. O primeiro utente que apareceu no consulado de Portimão, logo após ter aberto pela primeira vez em 1965, foi um escocês. E portanto, quando lhe pediram que assinasse um documento a confirmar que era um cidadão britânico, recusou-se firmemente. Isto porque se se declarasse como cidadão “britânico”, temia que pensassem que ele era Inglês em vez de Escocês…
Nos vários papéis que desempenhou, em particular no seu longo envolvimento na Câmara de Comércio Luso-britânica (BPCC) – cuja filial no Algarve ajudou a estabelecer – José de Azevedo foi sempre um agente honesto na promoção. Promoveu os negócios ao lado de pessoas como o seu velho amigo, John Stilwell, presidente da sucursal da BPCC no Algarve e fundador do Hotel Penina, próximo de Portimão.
Ainda hoje, orgulha-se de ser vice-presidente da «Anglo-British Society» em Londres, e um dos membros mais antigos do «Royal British Club» de Lisboa. É também presidente honorário do «41 Club» no Algarve, e o sócio com o cartão número 4 emitido pela AFPOP (The Association of Foreign Property Owners in Portugal). Mais do que ninguém, ele tem preenchido a lacuna cultural entre portugueses e britânicos no Algarve e mais além, de acordo com o seu lema favorito: “may the hinges of friendship never rust” (que traduzido à letra significa: que as dobradiças da amizade nunca enferrugem”).
José de Azevedo tem continuado a respeitar outros colegas consulares reformados, como Ron Underwood, que ainda vive em Portimão. Mas a figura-chave omnipresente durante toda a sua longa e distinta carreira é inquestionavelmente a pessoa a quem ele chama de “Marechal de campo”. A indomável Zefita tem sido a sua esposa devota, sábia conselheira e parceira persistente ao longo dos “bons e dos maus dias” nos últimos 53 anos.
Quem sabe, se as memórias de Zefita não poderão vir a somar uma fascinante nova dimensão às do seu extraordinário marido?







