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Universidade aberta

O saber não ocupa lugar

Não conseguiu frequentar a universidade quando era jovem? Teve que abandonar os estudos por motivos de força maior? Quer tentar novamente e frequentar um curso superior sem abdicar da sua vida profissional e familiar? Estas e outras questões encontram resposta na Universidade Aberta (Uab), que tem cada vez mais algarvios a candidatarem-se. Quem o diz é Elsa Vieira, 32 anos, coordenadora do Centro Local de Aprendizagem (CLA) de Silves, uma espécie de delegação desta instituição pública pioneira no ensino à distância. Hoje, aprender não requer horários, nem deslocações. Apenas é necessário um computador com ligação à Internet, auto-gestão e vontade de evoluir na vida...
Bruno Filipe Pires, Edição 662 (26 Jan 2011), Sem Comentários »

“A Universidade Aberta tem licenciaturas, tem mestrados e tem doutoramentos. Tem também formações de aprendizagem ao longo da vida. São aquelas que dão créditos a nível europeu (European Credit Transfer System) e ajudam a pessoa a subir categoricamente na profissão”, explica Elsa Vieira.

Para se ter uma ideia, no ano lectivo de 2009/2010 terminaram com êxito a sua graduação superior 816 alunos da Universidade Aberta (Uab), que conta actualmente com 12017 alunos inscritos (a nível nacional e além fronteiras) para o ano lectivo 2010/2011.

Grande parte desta população estudantil não cabe na oferta, nem na vocação das universidades tradicionais, presenciais – embora muitas já comecem a ver com outros olhos o ensino à distância da era digital.

Esta instituição “tem desde 2010 um protocolo com a Universidade do Algarve e a Universidade de Évora, que já estão a querer implementar o e-learning nalguns cursos porque os alunos o solicitam”, revela Elsa Vieira.

Segundo a responsável do CLA de Silves, “o aluno da Universidade Aberta, na maioria, é alguém que trabalha, que é activo no mercado de trabalho. São pessoas de idade à volta dos 40 anos que quiseram uma oportunidade para estudar”, diz.

“O mercado de trabalho é muito concorrencial, o emprego está difícil. As pessoas querem apostar em si próprias porque sabem que a formação é muito importante e querem evoluir”.

Elsa Vieira tem visto que “as pessoas muitas vezes viram-se para a vida activa e não para o percurso escolar” porque não têm recursos para estudar. Retomá-lo, ou não, é uma questão de oportunidades.

Outra ideia pejorativa e que está bastante generalizada é a do “curso por correspondência”. A coordenadora reconhece o “estigma”, mas desdramatiza.

“O que sei é que, em compensação, a Universidade Aberta é muito exigente com os alunos. Julgo que os seus diplomados sairão bem preparados, para além de terem um outro perfil psicológico. Não é aquele tipo de aluno que tem 18 anos, que vai para a faculdade e que depois sai para o mercado de trabalho sem qualquer preparação – e que só pretende fazer aquilo que lhe foi ensinado e mais nada. Este tipo de alunos são pessoas mais maduras, já estão mais integradas na vida activa e não há nenhuma razão para serem discriminadas”, considera.

Aluna de mestrado em Literatura e Cultura Portuguesa, Elsa Vieira atesta “por experiência própria”, que o ensino à distância “é muito mais exigente que o ensino presencial. É muito mais intensivo em termos de trabalhos solicitados pelos docentes. Temos que autonomamente capacitarmo-nos para trabalhar. Aqui temos que exigir mais de nós próprios”, diz.

Apesar de haver cada vez mais interessados, o modo de funcionamento da Uab suscita ainda muitas dúvidas por causa dos preconceitos e de alguma infoexclusão. Então, como funciona a Universidade Aberta?

Ao contrário do que acontecia no passado, este método de ensino usa tecnologia de ponta com recurso à Internet. O chamado e-learning tem ainda a vantagem de promover a literacia digital.

“Todos os alunos passam por uma fase de integração. Têm um módulo de ambientação que vai ajudá-los a integrarem-se neste sistema de ensino. Vão familiarizar-se com a plataforma do aluno onde têm um log-in de identificação e uma password de acesso”, explica.

“Depois, os alunos têm acesso às disciplinas (unidades curriculares). Cada uma disponibiliza um contrato de aprendizagem, que é um documento onde está toda a explicação do que se vai passar, desde o número de aulas, a documentação necessária, os recursos para estudo, a bibliografia e os objectivos a atingir”, explica.

“Temos aqui pessoas de 60 anos de idade. Não têm tanta motricidade a escrever no teclado, mas já sabem encontrar o que precisam”, diz.

Um aspecto interessante é a interactividade do software utilizado na aprendizagem (em inglês designa-se por Learning Management System, ou para ser mais preciso, plataforma Moodle - Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment).

Aqui o aluno não está sozinho. Está em contacto quer com o professor, quer com os colegas de curso, num ambiente virtual de aprendizagem.

“Sim, inclusive existem trabalhos de grupo que são distribuídos pelos elementos da turma”, diz. Funciona tudo por e-mail. “O aluno está sempre ao corrente da matéria, do que está a acontecer a qualquer hora do dia.”

A avaliação é à medida do aluno. Quem dispõe de mais tempo, pode escolher a avaliação contínua, com a entrega de trabalhos práticos semanal ou quinzenalmente.

Podem ser projectos, ensaios, resolução de problemas, e relatórios. No final, fará apenas um exame de 90 minutos (chamado p-folio). Em alternativa, “o aluno também pode optar por fazer um exame presencial de duas horas e meia” para concluir a cadeira.

Os exames são feitos no Centro Local de Aprendizagem (CLA). Há 13 espalhados pelo país. Os mais próximos são em Grândola e Reguengos de Monsaraz. O de Silves estava previsto inaugurar em 2008, mas por vários motivos, estreou-se apenas em Julho de 2010. Contudo, o protocolo de colaboração entre a autarquia e a Uab existe há 15 anos. Actualmente tem 530 alunos. Em breve, a Uab irá abrir um CLA na Galiza.

Em Fevereiro próximo abrem as candidaturas para as licenciaturas, que são “o mais procurado”. Não têm numerus clausus, portanto não há concurso de acesso. Contudo, é preciso cumprir algumas formalidades para as frequentar.

É preciso ter mais de 21 anos de idade (ou 18 e ser trabalhador-estudante desde os 16 anos). O candidato tem que fazer um exame de acesso específico ao curso que escolher (quem tem o 12º ano completo).

Ou então pode optar por fazer um exame geral para maiores de 23 anos (ACFES - para quem não concluiu o secundário). Todo este processo de candidatura é feito on-line.

A Universidade Aberta também está a dar oportunidade a quem tenha concluído uma licenciatura de 5 anos (pré-bolonha) e queira agora evoluir para mestrado.

Existe ainda uma outra oportunidade de acesso. Há um protocolo para os alunos inscritos nos Centros Novas Oportunidades. É um curso de qualificação para estudos superiores. E depois ficam isentos de fazer exames, pois têm automaticamente acesso às licenciaturas.

As licenciaturas duram 3 anos, segundo o processo de Bolonha. A propina é a fixada pelo Governo (cerca de dois salários mínimos por ano lectivo). Há uma oferta variada nas humanidades, ciências sociais e informática. Os mestrados custam entre 2000 a 3000 euros.

“De qualquer forma, o aluno pode sempre concorrer a bolsas ou apoio financeiro, da própria Universidade. Claro que os critérios são fornecidos pelo próprio Governo”, conclui.

Fundada em 1988, a Universidade Aberta já proporcionou formação de nível superior a mais de 10 mil estudantes, em 33 países. Soma mais de 400 títulos editados em livro (muitos são estudados nas faculdades tradicionais), mais de 3500 horas de produções audiovisuais e de 6000 horas de emissões televisivas, produzidas nos seus estúdios próprios.

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